Por Alexander Cornwell
TEL AVIV, 5 Out (Reuters) - O principal responsável pela segurança nacional do Reino Unido fez uma viagem discreta a Israel na semana passada, em uma tentativa de impedir o fechamento do consulado de seu país em Jerusalém Oriental -- medida ordenada por Israel após Londres anunciar sanções contra os assentamentos israelenses --, disseram três fontes.
O conselheiro de segurança nacional Jonathan Powell, cuja visita não foi divulgada pelo governo britânico, teve encontros com autoridades israelenses, mas não conseguiu chegar a um acordo para manter o consulado aberto, afirmaram as fontes sob condição de anonimato.
Em 8 de setembro, Israel ordenou que o Reino Unido fechasse o consulado em Jerusalém Oriental no prazo de 30 dias e retirasse seus diplomatas da cidade, após o Reino Unido declarar que iria proibir produtos fabricados nos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.
A França e o Canadá aderiram às sanções. Israel não tomou medidas contra esses países.
O incidente destacou a crescente frustração entre os aliados de longa data de Israel em relação aos assentamentos na Cisjordânia ocupada, considerados por grande parte do mundo como ilegais segundo o direito internacional, o que Israel contesta.
O prazo de 30 dias para que o Reino Unido feche o consulado expira na quinta-feira. Duas das fontes afirmaram que as negociações ainda estão em andamento e, embora haja possibilidade de um acordo para mantê-lo aberto, é improvável que tal acordo seja fechado até o prazo final de quinta-feira.
Questionado sobre a visita de Powell e as negociações com Londres a respeito do consulado, um porta-voz do ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, disse à Reuters que o consulado deve ser fechado na quinta-feira conforme anunciado.
Um porta-voz do governo britânico não forneceu comentários imediatos.
Ao anunciar as sanções, o Reino Unido afirmou que as ações de Israel estão minando a possibilidade de uma solução de dois Estados -- a ideia de um Estado palestino coexistindo pacificamente ao lado de Israel. O governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeita abertamente a ideia de um Estado palestino.
O Reino Unido citou planos apoiados pelo governo israelense para expandir os assentamentos e o aumento dos ataques de colonos contra palestinos na Cisjordânia. As sanções britânicas devem entrar em vigor no próximo ano.
O consulado britânico, no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, cuida das relações do país com os palestinos na cidade, assim como na Cisjordânia e em Gaza. Ele também presta serviços consulares aos palestinos.
O ministro das Relações Exteriores de Israel afirmou que a decisão britânica de impor sanções foi “moralmente distorcida”, acusando o Partido Trabalhista, atualmente no poder no Reino Unido, de ser hostil ao país e de interferir nas próximas eleições gerais de Israel, marcadas para 27 de outubro.
O anúncio das sanções britânicas e a resposta de Israel marcaram um novo ponto baixo nas relações entre os outrora aliados inabaláveis. O Reino Unido tem repetidamente criticado as ações de Israel na guerra em Gaza e os ataques de colonos israelenses contra palestinos.
(Reportagem de Alexander Cornwell)
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