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Discriminação por ponto de vista é um veneno, dizem canais banidos por Trump em ação judicial

Estadão

Uma ação judicial protocolada pelos veículos americanos CNN , MSNOW e Politico nesta segunda-feira, 21, requer o acesso integral das credenciais dos jornalistas suspensos da Casa Branca na última semana.

O processo foi iniciado após Donald Trump proibir jornalistas dos canais de TV e do site de acessarem a Casa Branca para a cobertura do dia a dia do governo dos EUA. Em meio a medida de Trump, outros canais como CBS , ABC , NBC e Fox News decidiram suspender a cobertura em resposta ao movimento do líder americano.

A justificativa do presidente dos EUA para suspender o acesso dos jornalistas foi de que esses canais estavam publicando notícias falsas sobre a administração do republicano. O próprio presidente veio a público afirmar que o banimento foi uma consequência direta do trabalho dos jornalistas.

Citando um outro processo, os veículos afirmaram que a "discriminação por ponto de vista é um veneno" e que a forma como as credenciais foram retiradas é inconstitucional e sem parâmetros válidos.

O objetivo da ação é suspender o banimento à Casa Branca invocando a Primeira Emenda americana. A principal emenda da constituição dos EUA fala sobre liberdade de expressão e a proibição de retaliação do Estado à jornalistas. Na ação judicial, os veículos afirmam que Trump violou essa condição ao revogar as credenciais de repórteres que cobriam a Casa Branca.

Além disso, os veículos também citaram a Quinta Emenda da constituição do país, afirmando que a suspensão imediata, sem aviso prévio, também é arbitrária. Com base na Quinta Emenda, os canais de comunicação disseram que o motivo apresentado por Trump, de que os jornalistas publicavam "Fake News" é vago e não corresponde a um argumento plausível de punição.

"Na sexta-feira, 18 de setembro de 2026, o presidente Donald J. Trump anunciou que estava banindo jornalistas de três veículos de comunicação - CNN , MS NOW e POLITICO - da Casa Branca, com efeito imediato, por um motivo simples: ele não gosta do conteúdo da cobertura que fazem dele e de sua administração. O presidente foi explícito quanto ao seu ponto de vista - e à motivação discriminatória - ao visar a CNN , a MS NOW e o Politico . Ele classificou a medida como o resultado de suas constantes reportagens de FAKE NEWS! - um termo que ele aplica rotineiramente não a reportagens falsas, mas a qualquer reportagem de que não goste. Em seguida, ameaçou que haveria outros veículos de mídia de Fake News a seguir", começa o processo, protocolado nesta segunda-feira.

Ainda de acordo com o processo, jornalistas têm acesso à área de imprensa da Casa Branca desde 1902 e que, na história, nenhum veículo "como instituição" havia sido banido diretamente por um presidente - ainda mais em um período de grande atividade política, como a Assembleia da ONU em Nova York e o encontro de Trump com Xi Jinping nesta semana em Washington.

"O Presidente não forneceu qualquer aviso de que negaria imediatamente o acesso às dependências da Casa Branca a organizações de notícias cujas reportagens lhe desagradassem. Tampouco estabeleceu critérios claros para sua decisão. Além disso, o Presidente não concedeu à CNN , à MS NOW , ao Politico ou a qualquer de seus jornalistas qualquer oportunidade de serem ouvidos antes de anunciar a proibição em uma publicação nas redes sociais e antes de a Casa Branca revogar o acesso dos repórteres e confiscar as credenciais de imprensa", afirma a ação.

Como uma petição inicial, o processo não estabelece datas para audiências judiciais, apenas pede para que as credenciais sejam devolvidas aos jornalistas. Pela sua rede social, Trump respondeu à ação e disse que o governo vai recorrer.

"Em outras palavras, quase sem questionamentos e, como de costume, vamos recorrer; afinal, pessoas e publicações de Fake News que só escrevem coisas negativas - e que violam nossa segurança nacional ao publicar histórias falsas e difamatórias com fontes desconhecidas - não deveriam ter acesso ao gabinete mais importante do mundo. Chama-se Salão Oval, e ele deve ser tratado com decoro, respeito e dignidade, não profanado por palhaços de terceira categoria que, propositalmente, distorcem, deturpam e rebaixam tudo o que escrevem ou publicam. Praticamente todas as matérias sobre mim, ou sobre qualquer coisa relacionada a mim, são negativas, incorretas e, em muitos casos, PERIGOSAS para o nosso país!", publicou Trump pela Truth Social.

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