Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 11 Set (Reuters) - O dólar ganhou força ante o real e renovou a máxima do dia após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, dar 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos das investigações do caso Master.
O receio de que isso traga a público mais informações sobre o escândalo envolvendo o filme Dark Horse, atingindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deu força ao dólar, com investidores fazendo "compras de proteção" antes do fim de semana.
Às 15h36, no pico do dia até o momento, o dólar à vista subia 0,64%, a R$5,1342 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para outubro -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- avançava 0,49%, aos R$5,1525.
Fachin acatou pedido da Procuradoria-Geral da República e determinou que Mendonça retire o sigilo de todos os documentos, deixando de fora apenas informações de diligências ainda em curso que, se tornadas públicas, podem prejudicar as investigações.
No mercado, a percepção é de que o fim do sigilo pode atingir a popularidade de Flávio, hoje o principal oponente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral pelo Planalto.
Anteriormente, um áudio em que Flávio pede dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, para supostamente financiar o filme Dark Horse já havia causado estragos na candidatura do senador. O filme conta a história do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
Na noite desta sexta-feira, também será divulgada a nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial.
"Tem pesquisa para sair, tem o fim de semana, e ninguém sabe o que vem por aí. Então os agentes do mercado se protegem um pouco", comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, ao justificar a busca por dólar nesta tarde.
Outros dois profissionais ouvidos pela Reuters confirmaram que a possibilidade de Flávio ser impactado pela quebra de sigilo, além da expectativa antes da nova pesquisa eleitoral, trouxeram cautela para os negócios. Além da alta do dólar, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) zeraram as perdas vistas mais cedo, enquanto o Ibovespa renovou a mínima do dia.
No exterior, às 15h36 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,05%, a 99,130.
(Edição de Isabel Versiani)




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