Por Luis Jaime Acosta
BOGOTÁ, 15 Ago (Reuters) - As esperanças de encontrar sobreviventes do terremoto que atingiu o oeste da Colômbia há cinco dias diminuíam neste sábado, à medida que mais corpos eram retirados de prédios que desabaram devido ao tremor de magnitude 7,4, que deixou centenas de mortos ou desaparecidos.
O terremoto atingiu San José del Palmar pouco depois das 7h30 da manhã, derrubando prédios de apartamentos e danificando escolas, igrejas, hospitais e residências desde o porto de Buenaventura, no Pacífico, até a região cafeeira da Colômbia e as principais cidades do oeste do país.
Pelo menos 294 pessoas morreram, 320 estão desaparecidas e quase 4.000 ficaram feridas, segundo estimativas da unidade de gestão de desastres da Colômbia divulgadas neste sábado. Mais de dois terços das mortes ocorreram nas cidades de Cali e Pereira.
"Temos apenas um local com sinais de vida", disse o capitão dos bombeiros de Cali, Alberto Hernandez, à Reuters. "Nos outros locais, infelizmente estamos na fase de recuperação de corpos."
Com mais de 2 milhões de habitantes, Cali é a terceira maior cidade da Colômbia. Equipes de resgate continuaram durante a manhã vasculhando montanhas de concreto, tijolos e metal destruídos em busca de pessoas ainda desaparecidas, enquanto outras limpavam seus bairros munidas de vassouras e pás.
Hernandez disse que provavelmente terminarão de recuperar os corpos até domingo, após o que começarão a usar equipamentos pesados para remover os escombros.
Juana Catano, coordenadora de um grupo de ação cidadã, disse à Reuters que os esforços agora estão concentrados na recuperação e reconstrução. "Estamos em um momento de luto profundo", afirmou.
CENTENAS DORMEM AO AR LIVRE
Na cidade de Pereira, no coração da região cafeeira da Colômbia, centenas de pessoas passaram a noite em esteiras ou barracas em um abrigo improvisado em um parque, onde, segundo os coordenadores, havia falta de cobertores, barracas, produtos de higiene e alimentos.
Um relatório da unidade de gestão de desastres constatou que milhares de casas foram completamente destruídas pelo terremoto de segunda-feira, deixando centenas de pessoas dormindo ao relento em abrigos e aguardando informações sobre o risco de desabamento de apartamentos danificados.
A Colômbia registrou 269 réplicas desde o terremoto, aumentando os perigos para as equipes de resgate e voluntários que ainda vasculham os escombros instáveis.
O desastre representou o primeiro grande desafio para o presidente Abelardo De La Espriella, um novato na política que assumiu o cargo há uma semana e agora supervisionará os esforços de socorro e reconstrução após um dos piores desastres naturais da Colômbia.
De La Espriella enfrentou algumas críticas pela forma como lidou com as primeiras horas, principalmente por não ter aceitado ofertas de equipes de resgate de certos países. Posteriormente, as autoridades receberam equipes de resposta de Israel e dos Estados Unidos.
A morte de pessoas que se tornaram símbolos nacionais diminuiu ainda mais as esperanças no final da semana.
Daniela Largo, de 32 anos, morreu no hospital após sobreviver 36 horas sob os escombros, e Juan Felipe Giraldo, de 24 anos, foi encontrado morto após uma complexa operação em um hotel que desabou.
Giraldo, cujo pai passou dias junto ao prédio desabado à espera de notícias, ia se casar no domingo. Ele deixa um filho de 2 anos.
Milhares de pessoas se reuniram nas cidades de Medellín e Bogotá para doar alimentos, roupas e medicamentos a centros de coleta, que os distribuem para as áreas devastadas pelo terremoto.
(Reportagem de Luis Jaime Acosta, em Bogotá; reportagem adicional de Felipe Leon, em Pereira, e Santiago Limachi, em Cali)



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