WASHINGTON, 14 Out (Reuters) - O governo Trump está considerando flexibilizar as sanções às chamadas embarcações da “frota paralela” que transportaram petróleo e derivados de países como Rússia, Irã e Venezuela, em um esforço para reduzir as taxas globais de frete, que atingiram níveis recordes, afirmou uma autoridade norte-americana na quarta-feira.
As discussões ocorrem dias depois que o presidente Donald Trump suspendeu temporariamente as sanções contra o diesel russo, uma medida que gerou uma enxurrada de críticas do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, de países europeus e de alguns pares republicanos de Trump no Senado dos EUA.
Tanto Zelenskiy quanto os senadores norte-americanos classificaram essa medida como um presente ao presidente russo, Vladimir Putin, que proporcionaria à Rússia receita para continuar financiando sua guerra na Ucrânia.
As novas negociações se concentram na possibilidade de os Estados Unidos permitirem que “petróleo legal” seja transportado em navios anteriormente sancionados, disse a autoridade norte-americana. Isso significa petróleo bruto ou derivados não sancionados por Washington, e não petróleo russo e iraniano, que estão sujeitos a medidas punitivas.
O objetivo é fazer com que mais produtos refinados e petróleo bruto saiam do Golfo, disse a autoridade.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse em um vídeo para o Congresso Mundial do Petróleo, em Riade, nesta semana, que o governo estava discutindo a flexibilização das sanções contra navios da “frota paralela”, em um esforço para reduzir as taxas de frete recordes que têm prejudicado a demanda pelo petróleo bruto dos EUA, de acordo com o Energy Aspects, um grupo de pesquisa.
Trechos da palestra foram transmitidos nas redes sociais, mas a Reuters não conseguiu obter o vídeo completo nem uma transcrição. O Departamento de Energia informou que o material não estava disponível.
As empresas que desejarem utilizar os navios sancionados teriam que solicitar autorização ao Departamento do Tesouro dos EUA para fazê-lo, disse a autoridade.
O Departamento de Energia afirmou que qualquer medida para aliviar as sanções contra a frota não ajudaria a Rússia a transportar petróleo ou derivados. O Departamento do Tesouro encaminhou as perguntas ao Departamento de Energia.
Mas a pressão de Trump para levar o diesel russo aos mercados globais rapidamente poderia pressionar os departamentos a permitirem o transporte por meio dessas embarcações.
A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Os altos preços do petróleo e dos combustíveis representam um risco para Trump nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, nas quais os republicanos esperam manter o controle de ambas as câmaras do Congresso. Ele suspendeu as sanções ao diesel russo até 7 de abril.
(Reportagem de Timothy Gardner e Jarrett Renshaw)
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