Por Daphne Psaledakis
WASHINGTON, 6 Out (Reuters) - Autoridades norte-americanas prenderam nesta terça-feira, no Estado de Washington, uma pessoa que acusam de ter dado orientações e de ter se oferecido para transmitir ao vivo um tiroteio em massa fatal ocorrido no início deste ano no Canadá.
James Cody Bryant, de 30 anos, foi detido sob a acusação de conspiração para assassinar pessoas em um país estrangeiro, em conexão com o tiroteio em Tumbler Ridge, segundo o Departamento de Justiça. A acusação prevê pena que pode chegar à prisão perpétua.
Bryant manteve contato repetido com a pessoa que disparou os tiros, Jesse Van Rootselaar, oferecendo orientação técnica, enviando dinheiro -- inclusive para a compra dos sapatos a serem usados durante o ataque -- e concordando em transmitir o evento ao vivo, afirmaram autoridades policiais.
“James Cody Bryant tinha as informações e a capacidade de alertar as autoridades e chegou a discutir essa possibilidade com o atirador, mas optou por não fazê-lo, além de ter incentivado e oferecido assistência a um assassino”, disse o procurador federal interino do Distrito Oeste de Washington, Neil Floyd.
Os autos do processo não indicaram imediatamente um advogado para Bryant.
Nove pessoas, principalmente crianças, foram mortas no tiroteio na escola em Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, em um dos piores tiroteios em massa do Canadá.
Van Rootselaar, de 18 anos, que vinha sofrendo uma série de problemas de saúde mental, matou sua mãe e seu meio-irmão em casa antes de atirar e matar uma professora e cinco jovens alunos em sua antiga escola em Tumbler Ridge, um povoado de cerca de 2.400 habitantes nas Montanhas Rochosas canadenses, segundo a polícia. Van Rootselaar, que segundo a polícia nasceu homem, mas passou a se identificar como mulher, se matou em seguida.
Bryant, que, segundo as autoridades, também teria nascido homem, mas se identificava como mulher, concordou em transmitir ao vivo o ataque e divulgá-lo “de forma a maximizar a notoriedade da atiradora”, disse Mike Herrington, agente especial responsável pelo FBI em Seattle.
A transmissão ao vivo no Twitch foi interrompida após cerca de 20 segundos, informaram as autoridades.
“Sem a lealdade equivocada de Bryant e sua disposição em operar a transmissão ao vivo, não sabemos ao certo se a atiradora teria levado o crime adiante”, disse Herrington.
“Sabemos com certeza que a atiradora estava preocupada com a possibilidade de poucas pessoas assistirem à transmissão ao vivo sem a ajuda de Bryant e contava com isso para ampliar o alcance da transmissão, pois não tinha muitos seguidores nas redes sociais.”
(Reportagem de Daphne Psaledakis; reportagem adicional de Andrew Goudsward)
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