Início Mundo Fontes israelenses detalham número de vítimas civis em Gaza em filme exibido em Veneza
Mundo

Fontes israelenses detalham número de vítimas civis em Gaza em filme exibido em Veneza

Reuters
Fontes israelenses detalham número de vítimas civis em Gaza em filme exibido em Veneza
Fontes israelenses detalham número de vítimas civis em Gaza em filme exibido em Veneza

Por Crispian Balmer

VENEZA, 10 Set (Reuters) - A morte em massa de civis era rotineiramente incorporada às decisões militares israelenses sobre alvos em Gaza, segundo um documentário do Festival de Cinema de Veneza divulgado nesta quinta-feira, que questiona as versões oficiais sobre a guerra.

“NAZA”, dirigido pelos jornalistas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, tem seu título inspirado em um termo militar israelense para “baixas colaterais” previstas e é construído em torno de depoimentos de oficiais de inteligência e soldados envolvidos na guerra.

Houve “extermínio em massa em escala industrial”, afirma um dos oficiais em uma série de entrevistas anônimas.

Autoridades de saúde de Gaza afirmam que mais de 73 mil palestinos foram mortos na campanha militar de Israel, desencadeada por um ataque a Israel perpetrado por militantes do Hamas em outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas.

Israel diz ter se esforçado ao máximo para evitar vítimas civis e que o Hamas usa os civis de Gaza como escudos humanos em áreas densamente povoadas — alegação que o Hamas nega.

O filme conta uma história diferente.

“Mostramos em nosso filme um sistema de mira que, por definição, tem como alvo pessoas em espaços civis, em suas casas”, disse Abraham à Reuters. “Às vezes, podem ser 500 NAZA... destruindo vilas inteiras ou bairros inteiros.”

Oficiais de inteligência descreveram um sistema assistido por IA que identificava alvos usando dados coletados de milhares de celulares hackeados. Eles afirmaram que a frase “papai está em casa”, captada no celular de uma criança, seria suficiente para desencadear um ataque aéreo.

Os oficiais também descreveram a morte de civis em zonas de acesso proibido designadas por Israel, inclusive perto de centros de distribuição de ajuda humanitária. A localização dessas zonas não era divulgada aos moradores, disse um oficial: “Eles têm que aprender com sangue.”

As Nações Unidas afirmaram no ano passado que mais de 400 palestinos foram mortos enquanto buscavam ajuda. Israel reconheceu que civis haviam sido feridos nos centros de distribuição e disse ter alterado suas regras de combate.

Vários dos oficiais entrevistados comparam o que testemunharam a padrões históricos de desumanização e discutem paralelos com lições extraídas do Holocausto.

“É uma conexão que vem dos soldados”, disse Abraham.

“Em uma situação em que tantas vezes se vê a memória do Holocausto sendo usada para justificar as ações de Israel em Gaza, é muito importante tirar uma conclusão mais universal.”

As Forças de Defesa de Israel não responderam imediatamente a um pedido de comentário da Reuters sobre o documentário.

Todas as entrevistas foram filmadas em telhados em Tel Aviv à noite, com cenas de destruição em Gaza exibidas apenas brevemente no final. Os diretores disseram que queriam destacar o contraste entre a vida cotidiana na capital comercial de Israel e a devastação que se desenrola a cerca de 60 km de distância.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!