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Forças dos EUA saem do Iraque em meio a temores de que milícias apoiadas pelo Irã e Estado Islâmico ocupem espaço

Reuters
Forças dos EUA saem do Iraque em meio a temores de que milícias apoiadas pelo Irã e Estado Islâmico ocupem espaço
Forças dos EUA saem do Iraque em meio a temores de que milícias apoiadas pelo Irã e Estado Islâmico ocupem espaço

BAGDÁ, 30 Set (Reuters) - As forças dos Estados Unidos encerraram sua missão no Iraque nesta quarta-feira, após mais de duas décadas de guerra no país, o que gerou temores de um vácuo de segurança que encorajaria as milícias xiitas apoiadas pelo Irã e permitiria que o Estado Islâmico se reagrupasse.

A retirada das últimas tropas, principalmente de uma base aérea em Erbil, na região curda semiautônoma, foi comemorada como uma vitória por Teerã e seus aliados, embora muitos iraquianos estejam preocupados com o fato de suas próprias forças de segurança não estarem preparadas.

A retirada foi acordada em 2024 durante o governo do presidente norte-americano, Joe Biden, e executada pelo governo de Donald Trump, mesmo enquanto este trava uma guerra contra o vizinho Irã.

Isso ocorre 23 anos depois que forças lideradas pelos EUA derrubaram Saddam Hussein, desencadeando anos de turbulência e caos. As tropas dos EUA partiram inicialmente no final de 2011, mas voltaram menos de três anos depois, quando combatentes do Estado Islâmico tomaram um terço do Iraque.

Mais de 4.500 soldados dos EUA morreram na maior guerra dos Estados Unidos neste século, cerca do dobro do número de mortos na guerra paralela no Afeganistão. O projeto “Iraq Body Count” afirma que mais de 200 mil civis iraquianos foram mortos.

O Pentágono informou que os Estados Unidos e seus parceiros da coalizão encerraram formalmente a “Operação Resolução Inerente” e que o Pentágono continuará a fornecer treinamento específico e apoio de inteligência aos parceiros iraquianos.

Espera-se que os iraquianos liderem os esforços para garantir a segurança do país — aliado tanto de Washington quanto de Teerã — e manter os remanescentes do Estado Islâmico sob controle.

“O fim da missão da coalizão internacional não significa o fim de nossa batalha contra o terrorismo, mas sim a transição do Iraque para uma fase em que o país assume total responsabilidade por sua segurança e estabilidade”, afirmou o primeiro-ministro iraquiano Ali Faleh al-Zaidi em comunicado.

Teerã vem se consolidando de forma constante por meio de representantes no Iraque desde a queda de Saddam.

Embora a saída das forças dos EUA seja amplamente bem-vista pelos iraquianos, alguns temem que as forças de segurança treinadas e financiadas pelos Estados Unidos ainda não sejam capazes de proteger o país.

“A lição das últimas duas décadas é que vácuos de segurança podem ser extremamente perigosos”, disse Jassim al-Bahadli, analista iraquiano que assessora as forças de segurança.

Adil Salman, 45, professor de inglês do ensino médio, disse que os iraquianos “não devem se apressar em comemorar” a retirada.

“As milícias ainda operam fora do controle do Estado e o Estado Islâmico ainda não desapareceu”, disse ele. “Estou preocupado que a saída dos EUA possa levar a um novo período de instabilidade. No fim das contas, as pessoas vão julgar essa decisão com base em uma coisa: se a segurança permanecerá estável nos próximos anos.”

Com a presença das forças dos EUA ao lado de grupos armados aliados ao Irã, o Iraque se viu envolvido na guerra deste ano.

Dos 18 militares dos EUA listados como mortos desde que Trump lançou a “Operação Fúria Épica” contra o Irã ao lado de Israel em fevereiro, sete morreram no Iraque. O último foi um sargento do Exército que morreu durante a detonação controlada de um drone em uma base perto de Erbil, em julho.

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