Por Hanna Rantala
VENEZA, 10 Set (Reuters) - O ator e cineasta mexicano Gael García Bernal afirmou que questões relacionadas a paternidade, classe social e crise da masculinidade na América Latina inspiraram seu terceiro longa-metragem como diretor.
García Bernal coescreveu, dirigiu, produziu e protagoniza “Hombre al Agua”, que está em exibição na seção Spotlight do Festival de Cinema de Veneza deste ano.
O filme acompanha Camilo, um salva-vidas cubano que constrói uma nova vida no México depois de salvar um empresário de se afogar e, em seguida, se casar com a filha dele. Mas, à medida que o brilho de sua existência privilegiada vai se desvanecendo, ele percebe que suas próprias aspirações ficam em segundo plano em relação às de sua esposa, cineasta, e de seu ambicioso sogro.
García Bernal disse que a história reflete questões mais amplas que afetam toda a região.
“Este filme, tanto consciente quanto inconscientemente, é sobre a América Latina, e talvez seja também uma homenagem a este continente, que, assim como Camilo, está em busca de seu próprio filme... porque certamente precisamos dele.”
PAPEL PARA RICKY MARTIN
O ator de 47 anos afirmou que dois de seus primeiros filmes, “Amores Brutos” e “E Sua Mãe Também”, ajudaram a capturar a mudança social de uma maneira única.
“Vi como esses dois filmes atuaram como um catalisador ou um amenizador para uma mudança que também estava ocorrendo na sociedade. E isso é um poder incrível. Quero dizer, é impressionante como os filmes conseguem fazer isso.”
Para completar seu elenco pan-latino-americano, García Bernal recrutou o astro pop porto-riquenho Ricky Martin para o papel de Roby, um ator escalado para interpretar Camilo em um filme autobiográfico que está sendo produzido por sua esposa.
Martin, um dos músicos latino-americanos de maior sucesso de todos os tempos, disse que abraçou imediatamente a chance de trabalhar com García Bernal, apesar de aparecer em apenas algumas cenas.
“Este é o cinema latino-americano, o que para mim era algo imperdível, algo que tinha que acontecer. É a minha língua e há um conforto nisso, é muito sedutor, e eu realmente quero continuar trabalhando nisso”, disse ele.
Martin também elogiou uma nova geração de artistas da região, incluindo o colega músico porto-riquenho Bad Bunny.
“Eu me vejo nele, como eu era há 20 ou 30 anos. Sinto que fiz a coisa certa e vejo a nova geração fazendo isso de uma maneira incrível. Os números não mentem. É aí que está a prova”, declarou ele.
“Convido os jovens artistas a se expressarem e se sentirem à vontade. Às vezes dá medo, mas nada se diz sobre os covardes. Vamos simplesmente seguir em frente com força, vigor e coragem, e torcer pelo melhor, sempre otimistas.”
O Festival de Cinema de Veneza vai até sábado.



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