Por Rohith Nair
19 Ago (Reuters) - Mais federações nacionais de futebol e dirigentes da Fifa retiraram seu apoio ao presidente da entidade, Gianni Infantino, após a saída do diretor operacional Kevin Lamour, o que um vice-presidente da Fifa descreveu como a “gota d’água”.
A Fifa informou na segunda-feira que Lamour havia deixado a organização, semanas depois de criticar publicamente o plano de Infantino de vender uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo e de outros torneios.
Sua saída levou o húngaro Sandor Csanyi — um dos oito vice-presidentes da Fifa e membro do Conselho da entidade — a retirar seu apoio a Infantino, que está sob pressão de três confederações para renunciar.
“A gota d’água foi a demissão inesperada de Kevin Lamour”, escreveu Csanyi em uma carta a Infantino, à qual a Reuters teve acesso.
“Kevin desempenhou suas funções com alto padrão profissional e ético e, como executivo altamente competente, deu uma contribuição significativa para o funcionamento transparente da organização."
“O fato de sua demissão ter sido motivada por suas críticas à iniciativa acima mencionada — uma iniciativa que o próprio senhor acabou reconhecendo como equivocada — aponta para graves deficiências no julgamento profissional, nos padrões éticos e na liderança.”
A Fifa não respondeu a um pedido de comentário.
Lamour havia afirmado que os funcionários haviam sido “enganados” em relação ao plano, que ele descreveu como o projeto de uma única pessoa.
Outros vice-presidentes da Fifa que criticaram a conduta de Infantino são o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, o presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Sheikh Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, e o presidente da Concacaf, Vittorio Montagliani.
‘EXTREMAMENTE PREOCUPANTE’
Dejan Savicevic, de Montenegro, membro do Conselho da Fifa desde 2017 e presidente da federação de futebol do país, afirmou que também havia retirado a carta de apoio à candidatura de Infantino enviada anteriormente.
Infantino concorre à reeleição em março, buscando um quarto mandato até 2031, e Savicevic escreveu uma carta ao secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, expondo suas preocupações.
“Os recentes acontecimentos dentro da Fifa são extremamente preocupantes e revelaram uma grave falta de comunicação e transparência, não apenas para com as federações-membro... mas também para com os membros internos, incluindo o Conselho da Fifa, e as estruturas que deveriam sustentar os alicerces da entidade”, escreveu ele.
“As propostas apresentadas revelaram vulnerabilidades preocupantes em relação à governança, não apenas no nível político, mas também dentro da administração da Fifa."
“A Federação de Futebol de Montenegro concorda com a opinião de outras federações nacionais europeias e da Uefa e exige uma revisão completa das ações da liderança da Fifa”, acrescentou ele.
Israel também retirou seu apoio à reeleição de Infantino, segundo o Guardian, com a decisão sendo tomada por unanimidade após uma reunião da diretoria da entidade.
O diretor-executivo da Federação de Futebol do País de Gales (FAW), Noel Mooney, disse à BBC que Infantino deveria renunciar após sua proposta malfadada de “vender as joias da coroa” a investidores de private equity.
No início deste mês, o País de Gales tornou-se a primeira federação nacional a retirar formalmente seu apoio a Infantino.
Apesar da oposição das três confederações, a Confederação Africana de Futebol (CAF) e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) estão atualmente do lado de Infantino.
O presidente da CAF, Patrice Motsepe, que também é vice-presidente da Fifa, alertou que qualquer tentativa de destituição deve ser decidida democraticamente pelas 211 federações-membros da Fifa nas eleições do próximo ano, e não por outros meios.
Um porta-voz da CAF afirmou que Motsepe não tinha mais nada a acrescentar após a saída de Lamour.
(Reportagem de Rohith Nair, em Bengaluru; Reportagem adicional de Pearl Nazare e Chiranjit Ojha)



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