Por Luciana Magalhaes
SÃO PAULO, 26 Jul (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as novas tarifas de importação dos Estados Unidos como injustas e um erro estratégico em um artigo de opinião publicado neste domingo no jornal The Washington Post. No texto, Lula diz que as sobretaxas prejudicarão a parceria bilateral entre os países e elevarão os custos para os consumidores norte-americanos.
“Este mês, desconsiderando dezenas de reuniões entre nossas equipes, sólidos argumentos técnicos e documentos que entreguei pessoalmente ao próprio Trump, o governo norte-americano decidiu adotar novas tarifas contra o Brasil que vão de 12,5% a 37,5%”, escreveu Lula no artigo.
As novas tarifas vieram após a decisão da Suprema Corte dos EUA de revogar sobretaxa de 50% imposta no ano passado, observou Lula, acrescentando que alimentos, calçados, têxteis, móveis, peças automotivas e muitos outros produtos ficarão mais caros para os consumidores norte-americanos.
A Embaixada dos EUA no Brasil não respondeu de imediato a um pedido da Reuters para comentário sobre o artigo.
Lula também citou a Global Trade Alert, uma organização independente com sede na Suíça, que afirma que o Brasil e a Turquia são agora os segundos países mais fortemente onerados por tarifas pelos EUA, ficando atrás apenas da China.
Isso apesar do superávit comercial dos EUA com o Brasil em bens e serviços, que totalizou US$428 bilhões ao longo de 15 anos consecutivos, disse Lula.
No artigo de opinião, publicado um dia após o aliado de Trump e candidato conservador à presidência, Flávio Bolsonaro, ter lançado sua campanha, Lula observou que as exportações brasileiras para os EUA atingiram o nível mais baixo desde 1997.
“No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros”, afirmou Lula.
O Brasil está aberto a um diálogo construtivo com os EUA, disse Lula, mas o país deve decidir seu próprio futuro.
“O destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interferência externa, nem subserviência”, disse Lula.




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