Por Olivia Le Poidevin
GENEBRA, 12 Ago (Reuters) - Metade das mulheres afegãs agora sai de casa apenas uma ou duas vezes por mês, já que as restrições impostas pelo Taliban limitam sua liberdade de movimento e participação na vida pública, de acordo com dados divulgados pela ONU Mulheres nesta quarta-feira.
Enquanto o Taliban se prepara para comemorar, nesta semana, o quinto aniversário de seu retorno ao poder, o Afeganistão continua sendo o único país do mundo a proibir que meninas frequentem o ensino médio e que mulheres frequentem a universidade, afirmou a agência da ONU, que promove a igualdade de gênero.
“Meia década após a tomada do poder pelo Taliban, em agosto de 2021, o Afeganistão desmantelou sistematicamente os direitos de metade de sua população, tornando-se um caso isolado no mundo, sem paralelo na era moderna”, afirmou a ONU Mulheres em comunicado.
O Ministério para a Propagação da Virtude e a Prevenção do Vício, administrado pelo Taliban, que faz cumprir muitas das regras do governo relativas às mulheres, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O porta-voz-chefe do governo, Zabihullah Mujahid, também não respondeu imediatamente.
O Taliban impediu que cerca de 2,4 milhões de meninas afegãs tivessem acesso ao ensino médio desde que retomou o poder no Afeganistão em 2021, informou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na terça-feira.
A ONU Mulheres afirmou que as autoridades do Taliban emitiram mais de 100 decretos voltados para mulheres e meninas desde que assumiram o poder, institucionalizando a discriminação e aprofundando o que descreveu como a crise de direitos das mulheres mais grave do mundo.
O Taliban argumenta que respeita os direitos das mulheres de acordo com sua interpretação da lei islâmica e da cultura afegã.
Mais da metade das mulheres entrevistadas pela agência da ONU relatou sair de casa duas vezes por mês ou menos, enquanto quase três quartos disseram se sentir inseguras ao sair sem um guardião masculino, conhecido como mahram.
As restrições também agravaram a crise de saúde mental, segundo a agência da ONU. Sete em cada dez mulheres descreveram sua saúde mental como “ruim” ou “muito ruim”, citando o isolamento, a perda de oportunidades e o acesso limitado a redes de apoio.
A agência alertou que decretos recentes enfraqueceram ainda mais as proteções legais das mulheres. Medidas introduzidas este ano aboliram a igualdade jurídica entre homens e mulheres perante a lei, reforçaram a autoridade dos homens no casamento e tornaram mais difícil para as mulheres pedirem o divórcio, afirmou a agência.
As mulheres também continuam amplamente excluídas da economia. Apenas 7% das mulheres estão empregadas, em comparação com 84% dos homens, de acordo com o relatório da ONU Mulheres.
A agência informou que seu relatório se baseou em uma pesquisa porta a porta com 2.190 pessoas, realizada entre fevereiro e março de 2025, e em pesquisas por telefone com 2.811 pessoas realizadas entre abril e maio de 2026.



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