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Novo ministro da Defesa da Ucrânia assume cargo enquanto antecessor pede eleições em tempo de guerra

Reuters
Novo ministro da Defesa da Ucrânia assume cargo enquanto antecessor pede eleições em tempo de guerra
Novo ministro da Defesa da Ucrânia assume cargo enquanto antecessor pede eleições em tempo de guerra

Por Dan Peleschuk e Yuliia Dysa

KIEV, 19 Ago (Reuters) - Os parlamentares ucranianos nomearam nesta quarta-feira um novo ministro da Defesa, poucas horas depois que seu antecessor, destituído do cargo, desferiu um duro golpe ao presidente Volodymyr Zelenskiy ao defender eleições em tempo de guerra.

Yevhenii Khmara, ex-oficial de alto escalão das forças especiais, assume a importante pasta da Defesa em meio a uma nova turbulência política para o presidente, que enfrentou semanas de protestos devido à demissão do reformista Mykhailo Fedorov, de 35 anos.

A nomeação de Khmara também ocorreu poucas horas depois que as autoridades anticorrupção anunciaram acusações contra um vice-chefe do gabinete de Zelenskiy, como parte de um suposto esquema de lavagem de dinheiro de US$3 milhões.

A destituição de Fedorov do cargo de ministro da Defesa, em julho, levou milhares de manifestantes às ruas em protestos raros em tempo de guerra contra uma reorganização inesperada, vista como mal comunicada ao público em um momento crítico da guerra com a Rússia.

Seu ousado apelo por eleições no quinto ano de conflito gerou acusações de populismo em um país onde a maioria da população ainda se opõe a uma votação em tempo de guerra, embora muitos argumentem que a Ucrânia precise de novos rostos no poder.

“Ele optou por seguir a trajetória populista, ressaltando os riscos e desafios para o processo democrático das eleições”, disse Lesia Bidochko, pesquisadora de políticas do Instituto de Política Europeia em Kiev.

GRANDE DESAFIO

Em sua declaração na noite de terça-feira, Fedorov disse que o país enfrenta uma crise de governança e que o processo democrático da Ucrânia “não pode ser refém da Rússia”.

Eleições em tempo de guerra são proibidas por lei. Uma pesquisa realizada em 5 de agosto pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev mostrou que 57% dos ucranianos acreditam que elas só devem ocorrer após o fim da guerra, considerando que centenas de milhares de soldados estão na linha de frente e que mísseis e drones russos estão caindo sobre cidades, vilas e aldeias ucranianas.

“Precisamos encontrar um mecanismo legal, seguro e realista que permita à Ucrânia retomar plenamente seu processo democrático, mesmo em condições de uma guerra prolongada”, disse Fedorov.

Ele não disse se concorreria a alguma eleição, mas outra pesquisa recente indicou que Fedorov — especialista em tecnologia e o aliado mais antigo de Zelenskiy — venceria com facilidade seu ex-chefe em um segundo turno.

Bidochko disse que ainda não há um procedimento viável para organizar uma votação, com milhões de ucranianos vivendo como refugiados no exterior, deslocados dentro do país e servindo nas Forças Armadas.

“No momento, parece uma maneira elegante de ocupar o espaço da oposição sem assumir a responsabilidade pela logística”, disse ela sobre Fedorov.

As opiniões nas ruas e na internet estavam divididas nesta quarta-feira.

“Por um lado, realizar eleições neste momento não é a melhor ideia. Por outro lado, é como um ultimato sério ao presidente que poderia levá-lo a reconsiderar suas nomeações”, disse Ivan Hnatenko, um dos manifestantes que se reuniram em frente ao Parlamento antes da votação sobre Khmara.

Uma usuária do aplicativo Threads com o nome de ‘tovita’ disse estar profundamente decepcionada com a atitude de Fedorov. Ela tem participado dos protestos por sua reintegração, mas afirmou que seria um desastre “se isso fosse agitação eleitoral”.

Khmara, que atuou brevemente como chefe interino do serviço de segurança SBU da Ucrânia, não era a primeira escolha de Zelenskiy para ministro da Defesa e só foi nomeado como interino após o início dos protestos.

Mais conhecido como o mentor dos ataques profundos da Ucrânia ao território russo, Khmara assume o cargo enquanto Kiev luta para se defender contra os crescentes ataques com mísseis balísticos russos e os avanços implacáveis na linha de frente.

Dois de seus antecessores lideraram o ministério por apenas meio ano cada um, alimentando acusações de falta de consistência no ministério mais importante do país.

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