Por Nancy Lapid
25 Ago (Reuters) - Dois moradores da Pensilvânia morreram em decorrência do sarampo, informaram autoridades de saúde norte-americanas nesta terça-feira; essas são as primeiras mortes nos Estados Unidos causadas pela doença registradas em 2026 e as primeiras no Estado em 35 anos.
Uma queda na taxa de vacinação entre crianças nos EUA nos últimos anos, impulsionada por alegações sem fundamento científico de que as vacinas não são seguras, provocou surtos mais extensos. Veja o que você precisa saber sobre o sarampo:
POR QUE SE PREOCUPAR COM O SARAMPO?
Na década anterior à disponibilização da vacina, em 1963, havia de 3 a 4 milhões de casos de sarampo nos EUA a cada ano, principalmente em crianças, com 48 mil hospitalizações e entre 400 a 500 mortes.
As complicações do sarampo incluem otites, perda auditiva, pneumonia, crupe, diarreia, cegueira e inchaço do cérebro. Mesmo em crianças saudáveis, o sarampo pode causar doenças graves e morte. Em mulheres grávidas não vacinadas, o sarampo pode causar parto prematuro ou um bebê com baixo peso ao nascer.
O sarampo registrou um aumento acentuado nos Estados Unidos neste ano, com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) relatando 2.777 casos confirmados em todo o país até 20 de agosto. Em julho, os EUA atingiram o maior número de casos em 35 anos.
Foram registrados 36 novos surtos em 2026, e 94% dos casos confirmados -- 2.614 dos 2.777 -- estão associados a surtos. Desses, 1.239 foram decorrentes de surtos iniciados em 2026 e 1.375 de surtos iniciados em 2025, segundo o CDC.
Em 2025, um total de 2.289 casos confirmados de sarampo foi registrado nos Estados Unidos, com cerca de 11% deles necessitando de hospitalização, de acordo com o CDC.
As hospitalizações relacionadas ao sarampo nos EUA neste ano somam 169 até o momento, com duas mortes, em comparação com 243 hospitalizações e três mortes em 2025.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA estimam que cerca de 1 em cada 5 pessoas não vacinadas nos EUA que contraírem sarampo precisarão de hospitalização.
COMO PREVENIR INFECÇÕES POR SARAMPO?
A melhor proteção contra essa doença altamente contagiosa é a vacina, administrada isoladamente ou como parte da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola, comumente conhecida como vacina MMR (tríplice viral, no Brasil), ou da vacina contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela, a MMRV (a tetra viral no Brasil). Não há evidências de que vitaminas ou medicamentos previnam o sarampo.
Duas doses da vacina MMR oferecem 97% de proteção contra o vírus.
Presume-se que os adultos nascidos antes de 1957 tenham imunidade adquirida, pois provavelmente tiveram sarampo na infância.
Adultos que não se lembram de ter tido sarampo e não sabem se foram vacinados devem receber uma dose da vacina, afirma o CDC. A agência também recomenda uma dose de reforço para adultos que receberam reforços há muitos anos e que possam estar expostos a um surto.
COMO PREVENIR SURTOS DE SARAMPO?
Pelo menos 95% das crianças em idade pré-escolar precisam ter recebido a vacina contra o sarampo para alcançar a chamada imunidade coletiva, capaz de prevenir surtos e também proteger aqueles que não podem ser vacinados.
Essa meta tornou-se difícil de alcançar nos últimos anos, à medida que figuras públicas promoveram teorias contrárias às evidências científicas de que as vacinas infantis seriam uma causa de autismo e outros riscos à saúde. Robert F. Kennedy Jr., que chefia o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, tem ajudado a semear essas dúvidas há décadas.
A ideia tem origem em um estudo há muito desmentido, realizado com 12 crianças e liderado pelo pesquisador britânico Andrew Wakefield no final da década de 1990, que associava o autismo à vacina contra o sarampo. Estudos rigorosos não encontraram tais ligações entre o autismo e vacinas ou medicamentos, nem com seus componentes, como o timerosal ou o formaldeído.
A cobertura vacinal entre crianças do jardim de infância nos EUA diminuiu de 95,2% durante o ano letivo de 2019–2020 para 92,7% em 2023–2024, de acordo com o CDC.
O condado do Texas que esteve no centro de um surto de sarampo em 2025 apresentava uma taxa de vacinação de 80% entre crianças do jardim de infância em 2023–24. Taxas de vacinação abaixo do necessário para alcançar a imunidade coletiva deixam desprotegidas e vulneráveis ao vírus aquelas pessoas que não podem receber a vacina, incluindo bebês e indivíduos com distúrbios imunológicos.
COMO O SARAMPO SE PROPAGA?
O sarampo se espalha por meio de gotículas respiratórias produzidas pela tosse ou pelo espirro. As partículas do vírus podem permanecer suspensas no ar por até duas horas. Se uma pessoa tiver sarampo, até 90% das pessoas não vacinadas nas proximidades serão infectadas, afirma o CDC.
Os sintomas, que incluem tosse, coriza, olhos inflamados, dor de garganta, febre e a característica erupção cutânea vermelha e manchada, só aparecem de 10 a 21 dias após a exposição. Como as pessoas infectadas podem, sem saber, transmitir a doença a outras pessoas durante esse período, os especialistas em saúde recomendam uma quarentena de 21 dias para indivíduos não vacinados que tenham sido expostos ao sarampo.
COMO O SARAMPO É TRATADO?
Não há medicamentos específicos para o sarampo. Os tratamentos servem apenas para aliviar os sintomas e limitar as complicações. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda repouso, hidratação adequada e o uso de antitérmicos, como ibuprofeno ou paracetamol.
Antibióticos podem ser usados para tratar pneumonia e infecções nos ouvidos e nos olhos decorrentes do sarampo. Esteroides têm sido utilizados para tratar uma complicação rara do sarampo que causa inchaço cerebral, mas os esteroides também enfraquecem a defesa do sistema imunológico contra o vírus.
A VITAMINA A PODE PREVENIR OU TRATAR O SARAMPO?
Suplementos de vitamina A, que foram citados por Kennedy como uma alternativa à vacina, não previnem o sarampo. Estudos mostram que altas doses de vitamina A podem reduzir complicações graves em crianças com sarampo, com base em pesquisas realizadas em países de baixa renda onde a desnutrição é comum.
Qualquer evidência a favor da administração de vitamina A a pacientes com sarampo nos países desenvolvidos “é, na melhor das hipóteses, fraca”, afirmou o Dr. Sean O’Leary, presidente do Comitê de Doenças Infecciosas da Academia norte-americana de Pediatria (AAP, na sigla em inglês).
A OMS e a AAP alertam que a vitamina A, nas doses recomendadas para o sarampo, deve ser administrada sob supervisão médica devido ao risco de toxicidade.
(Reportagem de Nancy Lapid)



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