Por Steve Gorman
LOS ANGELES, 21 Jul (Reuters) - Promotores começaram nesta terça-feira a apresentar, com detalhes gráficos, o caso por homicídio contra o vocalista de indie pop conhecido como D4vd, acusado de esfaquear até a morte e desmembrar sua namorada de 14 anos depois que ela ameaçou tornar público o relacionamento deles.
David Burke se tornou uma sensação musical no TikTok em 2022, o que lhe rendeu um contrato com uma gravadora. Seu primeiro álbum de estúdio foi lançado em abril de 2025, na mesma semana em que sua namorada, Celeste Rivas Hernandez, desapareceu.
Ele foi preso em abril de 2026 e acusado de homicídio doloso, mutilação de restos mortais e abuso sexual infantil. Ele se declarou inocente de todas as acusações.
Um detetive da polícia descreveu a descoberta de um corpo, posteriormente identificado por meio de registros odontológicos como sendo de Celeste, dentro de um carro em um pátio de apreensão em Hollywood, em setembro de 2025.
A polícia foi chamada ao local quando funcionários perceberam um forte odor emanando do veículo, de acordo com o depoimento do detetive Joshua Byers, do Departamento de Polícia de Los Angeles. Os pais da vítima estavam presentes no tribunal enquanto Byers descrevia uma cena horripilante, relatando um “cheiro muito característico” de decomposição, familiar aos detetives da divisão de homicídios.
Os investigadores descobriram o tronco e a cabeça de Celeste dentro de um saco de vinil preto para cadáveres, enfiado no porta-malas dianteiro do Tesla registrado em nome de David Burke, o nome legal do músico. Debaixo do saco para cadáveres havia um saco plástico de lixo contendo os membros decepados da vítima, disse Byers.
O dedo indicador direito da menina exibia uma tatuagem enigmática que dizia “SHH”, disse Byers.
A promotora adjunta Beth Silverman conduziu Byers ao longo de seu depoimento enquanto exibia fotos macabras da cena em um tribunal silencioso.
Burke, de 21 anos, sentado à mesa da defesa vestindo o uniforme laranja da prisão para a audiência preliminar, observava a tela, parecendo acompanhar tudo com atenção.
MAIS TESTEMUNHAS SERÃO CHAMADAS
A audiência preliminar exige que a Promotoria do Condado de Los Angeles demonstre ao juiz que existem provas suficientes para levar o caso a julgamento.
O promotor público Nathan Hochman, falando com repórteres do lado de fora do tribunal, disse que os promotores intimariam mais de 10 testemunhas ao longo de três a cinco dias e decidiriam posteriormente se iriam requerer a pena de morte.
Burke viralizou com músicas gravadas em seu celular para vídeos do jogo Fortnite em 2022. O single de sucesso “Romantic Homicide” o ajudou a assinar um contrato com a Interscope Records.
Ele se apresentou no Coachella Valley Music and Arts Festival, na Califórnia, no ano passado, menos de duas semanas antes de, segundo os promotores, ele ter cometido o assassinato por temer que sua namorada menor de idade prejudicasse sua carreira em ascensão.
“Acreditamos que as provas concretas mostrarão que David Burke não assassinou Celeste Rivas Hernandez, nem foi a causa de sua morte”, disse a advogada de defesa Blair Berk durante a audiência de indiciamento de seu cliente, em 20 de abril.
Os promotores apresentaram um documento judicial na semana seguinte, detalhando suas provas e o suposto motivo do assassinato da jovem, que, segundo a promotoria, provavelmente ocorreu em 23 de abril de 2025, quando a atividade do celular dela cessou.
Os promotores afirmaram que Burke pretendia silenciar a jovem porque ela havia ficado com ciúmes dele e ameaçava arruinar sua carreira musical em ascensão, divulgando publicamente informações comprometedoras sobre o relacionamento deles.
Burke havia conseguido contratos publicitários altamente lucrativos na época, informou a promotoria.
Em uma das alegações especiais incluídas na acusação, Burke é acusado de cometer homicídio por ganância financeira. Outra alega que ele agiu assim porque a vítima era testemunha de um crime.
"MEDIDAS HORRÍVEIS"
Os investigadores recuperaram mensagens de texto com referências a sexo, gravidez, aborto e contracepção de emergência do tipo “Plan B”, além de fotos sexualmente explícitas.
Um dia depois de terem discutido por causa das ameaças dela de expô-lo, de acordo com o documento judicial, Burke chamou um Uber para levá-la até sua casa em Hollywood Hills e, em seguida, a esfaqueou até a morte assim que ela chegou. A autópsia constatou que ela morreu de “múltiplas lesões penetrantes”.
Em seu documento, os promotores também alegaram, com detalhes gráficos, as “medidas horríveis” que, segundo eles, Burke tomou para desmembrar e se livrar do corpo da jovem.
De acordo com o documento, o artista colocou o corpo da vítima em uma piscina inflável azul “para evitar que o sangue se espalhasse pelo chão da garagem” e, em seguida, removeu seus membros com uma motosserra “e talvez outras ferramentas”.
O documento afirma que Burke comprou a piscina, duas motosserras, uma pá, um saco para cadáveres e outros materiais pela internet usando um nome fictício e mandou entregá-los em sua casa após o assassinato.
De acordo com o documento judicial, Burke foi a última pessoa a dirigir o veículo em 29 de julho de 2025, antes de deixá-lo abandonado perto de sua casa e partir para uma turnê de shows. Semanas depois, o carro foi rebocado para um pátio de apreensão, onde os funcionários notaram o odor de decomposição e alertaram as autoridades em 8 de setembro.
Uma busca na garagem de Burke naquele mês encontrou evidências de desmembramento, incluindo amostras de sangue e restos de uma piscina inflável com “múltiplos cortes lineares”, segundo os promotores.
(Reportagem de Steve Gorman, em Los Angeles; Reportagem adicional de Lisa Richwine;)



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