Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 2 Out (Reuters) - Após exibirem baixas mais cedo, as taxas dos DIs se reaproximaram da estabilidade nesta manhã de sexta-feira, última sessão antes do primeiro turno eleitoral no país, enquanto os rendimentos dos Treasuries recuavam.
A nova pesquisa do Datafolha e o cancelamento do debate presidencial na TV Globo, na véspera, permeavam os negócios.
Às 10h41, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,585%, em alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,565% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,125%, com alta de 1 ponto-base ante 14,112%.
As taxas iniciaram a sessão no território negativo, após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informar que a produção industrial caiu 0,6% em agosto ante o mês anterior e cedeu 1,2% ante agosto de 2025. Os resultados frustraram as projeções dos economistas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,1% no mês e 0,4% no ano.
O movimento de queda foi reforçado pelos números do relatório de empregos payroll. Os EUA informaram que foram criados 29 mil postos de trabalho no país em setembro, bem menos que os 90 mil projetados por economistas em pesquisa da Reuters. Já a taxa de desemprego ficou em 4,2%, ante projeção de 4,1%.
Em reação aos números, os rendimentos dos Treasuries despencaram, o que também pesou sobre a curva brasileira.
No entanto, as taxas dos DIs se recuperaram na sequência e se reaproximaram da estabilidade, com os investidores se posicionando antes do primeiro turno das eleições, no domingo.
O Datafolha informou na noite de quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 48% das intenções de voto em eventual segundo turno, contra 45% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Os dois seguem tecnicamente empatados, já que a margem de erro é de dois pontos percentuais, mas Lula aumentou sua vantagem numérica para 3 pontos. No levantamento anterior, o presidente tinha 47% e o senador somava 45%.
No cenário de primeiro turno, conforme o Datafolha, Lula tem 42% e Flávio soma 38%. Na terceira colocação está Augusto Cury (Avante), com 4%.
Flávio desistiu na noite de quinta-feira de ir ao debate da TV Globo, que já não contaria com a presença de Lula. Na sequência, a própria emissora cancelou o debate.
No mercado, Lula é visto com desconfiança por boa parte dos agentes, que enxergam sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias não tão favoráveis a Flávio -- como a vantagem numérica de Lula no Datafolha -- tendem a trazer um viés de alta para a curva de juros.
Às 10h41, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 3 pontos-base, a 5,201%.
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