Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 28 Set (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira com altas em toda a curva a termo, puxadas pelo novo avanço dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo no exterior, com o mercado repercutindo ainda duas novas pesquisas eleitorais no Brasil.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,655%, com alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,632% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,03%, com elevação de 6 pontos-base ante 13,97%.
A segunda-feira foi marcada por nova alta do petróleo no exterior, com o barril do Brent oscilando acima dos US$105 no fim da tarde, em meio ao impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã, após o presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitar no fim de semana um acordo com Teerã.
Os rendimentos dos Treasuries também voltaram a subir, com o título de dez anos --referência global para decisões de investimento -- registrando alta de 6 pontos-base no fim da tarde, a 5,24%.
Em reação, a curva de DIs avançou durante todo o dia no Brasil, onde duas novas pesquisas eleitorais também deram suporte às taxas. Pesquisa BTG/Nexus mostrou no início do dia aumento da vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na simulação de segundo turno.
Lula tem 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% de Flávio. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois ainda estão em empate técnico. No levantamento anterior, porém, Lula tinha os mesmos 46% e Flávio somava 45%.
Já pesquisa Quaest divulgada durante a manhã mostrou Lula e Flávio empatados no segundo turno com 42% das intenções de voto. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Uma semana antes, Flávio tinha 42% e Lula somava 41%.
“A proximidade do primeiro turno da eleição também deixa o mercado mais nervoso, ainda que as pesquisas divulgadas hoje tragam pouca novidade em relação às anteriores”, pontuou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, em comentário por escrito. “O quadro fiscal segue no radar, com investidores de olho em como cada candidato pretende lidar com as contas públicas depois do pleito.”
No mercado, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte dos agentes, que enxergam sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias não tão favoráveis a Flávio -- como a ampliação da vantagem numérica de Lula no segundo turno da pesquisa BTG/Nexus -- tendem a trazer um viés de alta para o dólar e para as taxas dos DIs.
Durante a tarde, o Tesouro Nacional informou que a dívida pública federal brasileira teve variação positiva de 0,04% em agosto ante julho, para R$9,293 trilhões. Do total, 20,31% correspondiam a títulos prefixados, 23,22% a títulos vinculados a índices de preços, 52,74% a papeis com taxas flutuantes e 3,74% a papeis cambiais.
No boletim Focus divulgado pela manhã, a mediana das projeções dos economistas para a inflação em 2026 passou de 4,92% para 4,99% e em 2027 foi de 4,30% para 4,31%. As expectativas para a taxa básica Selic estão em 13,50% e 12,00% para este e o próximo ano, respectivamente. Atualmente a Selic está em 13,75%.
Aviso