Por Fabricio de Castro
7 Out - Após despencarem nos últimos dois dias, na esteira do resultado do primeiro turno da eleição brasileira, as taxas dos DIs de longo prazo fecharam a quarta-feira com altas modestas, enquanto as de curto prazo ficaram mais próximas da estabilidade.
Além da disputa eleitoral no Brasil, a curva foi influenciada pelos rendimentos dos Treasuries de longo prazo, que subiram, e pelos preços do petróleo.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,600%, com baixa de 1 ponto-base ante o ajuste de 12,613% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,79%, com alta de 6 pontos-base ante 12,732%.
Na segunda e na terça-feira a taxa do DI para janeiro de 2035 despencou um total de 140 pontos-base, em meio à euforia dos investidores com a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno.
Por trás do movimento está a percepção de boa parte do mercado de que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas -- ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste.
No limite, o equilíbrio das contas públicas abre espaço para juros mais baixos, o que se refletiu nos últimos dias na redução de prêmios na parte longa da curva de DIs, justamente o trecho mais afetado pela política fiscal.
"A manutenção, ou mesmo continuidade, desse fechamento dos prêmios dependerá da atitude dos candidatos de apresentarem propostas concretas e executarem um plano para a condução da política fiscal nos próximos anos", alertaram em relatório Maria Paolantoni, Mayara Rodrigues e Lucas Genoso, da área de renda fixa da XP.
"Até o momento, ainda há incertezas relevantes sobre a composição das equipes econômicas e sobre as medidas que serão adotadas para assegurar uma trajetória sustentável para a dívida pública. Nesse contexto, embora o resultado eleitoral tenha reduzido parte dos prêmios de risco, a consolidação desse movimento dependerá da evolução do debate econômico ao longo das próximas semanas", reforçaram.
Apesar das dúvidas sobre o futuro do ajuste fiscal, a expectativa em torno de Flávio reduziu de forma radical os prêmios na curva desde o domingo.
Nesta quarta-feira, porém, a parte longa da curva exibiu altas, ainda que contidas, acompanhando o avanço dos rendimentos dos Treasuries e a alta do petróleo Brent durante a maior parte do dia, em meio às preocupações persistentes com os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio. Durante a tarde, as taxas dos Treasuries perderam força, assim como o Brent, que chegou a ser cotado novamente abaixo dos US$100 o barril, mas ainda assim as taxas longas dos DIs se mantiveram no território positivo. A ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, divulgada às 15h, mostrou que as autoridades do banco central norte-americano estavam divididas em setembro quanto aos fundamentos para aumento de juros. Enquanto algumas autoridades consideraram a alta da taxa de referência necessária para conter o impacto dos choques nos preços da energia e outros choques de preços, outro grupo via a medida como importante para proteção contra a inflação impulsionada pela demanda.Na avaliação de Leonardo Mendes, economista da Manchester, a mensagem da ata foi de que os juros nos EUA seguirão elevados por mais tempo. “Para mercados emergentes, inclusive o Brasil, juros americanos persistentemente elevados significam maior competição pelo capital internacional e podem limitar movimentos mais fortes de valorização das moedas e de fechamento das curvas locais”, ponderou. No trecho curto da curva brasileira as taxas tiveram nesta quarta-feira um viés de baixa ante os ajustes anteriores, refletindo a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortar a Selic não apenas em novembro, mas também em dezembro, a depender do resultado da eleição. Atualmente a Selic está em 13,75%.Na última segunda-feira -- atualização mais recente e já após o primeiro turno -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 80,5% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em novembro, contra 11% de probabilidade de redução de 50 pontos-base e 6,5% de possibilidade de manutenção.No caso de dezembro, eram 43% para corte de 25 pontos-base, 39,24% para redução de 50 pontos-base e 10,53% para manutenção.No exterior, às 16h41 o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 1 ponto-base, a 5,284%. Já o petróleo Brent subia 0,36%, aos US$100,94 o barril.
Aviso