Por Kanishka Singh e Jonathan Landay e Patricia Zengerle
WASHINGTON, 23 Set (Reuters) - O presidente norte-americano, Donald Trump, deve pressionar o líder chinês, Xi Jinping, a libertar dois cidadãos norte-americanos detidos pela China, mas não está claro se outras questões relacionadas aos direitos humanos receberão atenção semelhante durante a cúpula desta semana.
Em uma antecipação da visita de Xi na última sexta-feira, uma autoridade norte-americana afirmou que Trump provavelmente abordará com Xi os casos de pessoas detidas injustamente na China. No entanto, a Casa Branca não informou se Trump levantará diretamente questões mais amplas relacionadas aos direitos humanos no Tibete, à minoria muçulmana uigur e à nova lei de “unidade étnica” do país.
Trump tem feito da conquista da liberdade para os norte-americanos detidos no exterior uma prioridade, inclusive na China, afirmam defensores dos direitos humanos.
Mas o líder republicano tem evitado, em grande parte, falar sobre o histórico de direitos humanos da China e não levantou publicamente questões de direitos humanos ao se reunir com outros líderes mundiais, como o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Trump pedirá a Xi que libere Youlin Chen, nascido na China, especialista em testes nucleares norte-coreanos que está preso desde o final de 2024, e Min Zin, um acadêmico preso em junho, segundo a esposa de Chen, Yufang Rong. Ambos são cidadãos norte-americanos. Trump levantou o caso de Chen quando se encontrou com Xi em Pequim em maio, mas nada aconteceu desde então, disse ela.
“Esperamos ver o dr. Chen e Zin voltarem para casa após essa reunião”, disse Elizabeth Richards, diretora de pesquisa da Fundação James Foley, um grupo de defesa de reféns.
Grupos de direitos humanos e parlamentares democratas afirmam que Trump também precisa pressionar Xi sobre o tratamento dado pela China aos tibetanos e uigures e defender os manifestantes pró-democracia de Hong Kong.
Os democratas no Congresso afirmam que Trump está minimizando as preocupações com os direitos humanos e adotando uma abordagem transacional nas relações internacionais.
“Não podemos abandonar os direitos humanos em nossa política externa”, disse nesta quarta-feira o deputado democrata Jim McGovern, de Massachusetts. “O histórico da China é indiscutível e é atroz.”
Pequim tem sinalizado que o tema estará fora de discussão. O embaixador do país nos EUA advertiu nesta quarta-feira que democracia e direitos humanos são “linhas vermelhas” que não podem ser ultrapassadas.
Grupos de direitos humanos afirmam que a China deteve uigures sob o pretexto de combater o extremismo e os confinou em campos de reeducação. Secretários de Estado dos EUA de ambos os partidos classificaram o tratamento dado aos uigures como genocídio.
“A visita de Xi a Washington é um momento estratégico para ir além das palavras de condenação ao genocídio uigur”, disse o presidente do Congresso Mundial Uigur, Turgunjan Alawdun.
A embaixada da China em Washington não respondeu a um pedido de comentário. Pequim afirma ter estabelecido “centros de formação profissional” para coibir o extremismo e nega as acusações de abusos.
Grupos de direitos humanos e exilados também costumam descrever o domínio da China no Tibete como “opressivo”, uma acusação que Pequim rejeita. A China tem exercido maior controle sobre a região desde que Xi assumiu a liderança do Partido Comunista em 2012.
Pequim afirma que Washington deveria parar de usar “questões relacionadas ao Tibete para interferir nos assuntos internos da China”.
A Campanha Internacional pelo Tibete pediu a Trump que solicitasse a Xi “a retomada de um diálogo substantivo, sem precondições”, com o Dalai Lama, líder espiritual dos budistas tibetanos e ganhador do Prêmio Nobel da Paz. O Departamento de Estado reiterou os apelos por tal diálogo quando um tibetano-americano morreu após se imolar em julho.
A China aprovou uma lei este ano para criar uma identidade nacional comum entre os 55 grupos étnicos minoritários do país, que inclui penalidades para pessoas fora do país por “incitar o separatismo étnico”.
O Departamento de Estado considera a lei problemática. Katie LaRoque, diretora de políticas e defesa da Freedom House, instou Trump a condenar pessoalmente a legislação.
“O presidente Trump precisa deixar claro que a legislação interna de Pequim não tem jurisdição sobre aqueles que exercem suas liberdades fundamentais em solo americano”, afirmou ela.
(Reportagem de Kanishka Singh, Jonathan Landay e Patricia Zengerle; )
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