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Vance repudia a guerra contra o Irã após derrota eleitoral nos EUA

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Vance repudia a guerra contra o Irã após derrota eleitoral nos EUA
Vance repudia a guerra contra o Irã após derrota eleitoral nos EUA

Por Phil Stewart e Erin Banco e Nandita Bose e Humeyra Pamuk

WASHINGTON, 4 Nov (Reuters) - O vice-presidente dos EUA, JD Vance, distanciou-se nesta quarta-feira da guerra do presidente Donald Trump contra o Irã, questionando se ela valia o custo e atribuindo a ela a responsabilidade pelas derrotas eleitorais dos republicanos, que entregaram aos democratas o controle das duas Casas do Congresso.

As declarações extraordinárias de Vance em uma postagem no X podem complicar ainda mais as deliberações de Trump, que avalia se deve reiniciar grandes operações de combate contra o Irã — uma medida que, autoridades norte-americanas disseram à Reuters, ainda está sendo considerada.

Elas também levantam dúvidas sobre o futuro político de altos funcionários do Pentágono, principalmente do secretário de Defesa, Pete Hegseth. Trump descreveu Hegseth como um dos primeiros defensores da guerra.

Hegseth também tem enfrentado críticas ferrenhas de membros do Congresso.

“A razão pela qual perdemos é a guerra”, disse Vance no X. “Se você quiser argumentar que valeu a pena, que perder o Senado pelos próximos seis anos valeu a pena, então faça isso.”

Vance, que é visto como um dos principais candidatos à Presidência em 2028, também disse que uma recomendação anterior para encerrar a guerra foi “um conselho sensato”.

Questionado sobre as declarações de Vance, Trump disse aos repórteres que achava que elas eram boas, afirmando: “Eu sei como ele se sente a respeito disso.”

 Mas Trump, em seguida, defendeu o esforço de guerra, dizendo: “Nós impedimos que eles tivessem uma arma nuclear.”

Algumas autoridades e integrantes da equipe da Casa Branca interpretaram a postagem de Vance como um afastamento do presidente em matéria de política externa e um reconhecimento público de que a guerra teve consequências econômicas internas, disse um assessor da Casa Branca à Reuters.

Os democratas garantiram o controle tanto do Senado quanto da Câmara dos Deputados na terça-feira, obtendo vitórias esmagadoras em redutos republicanos pela primeira vez em décadas.

Os eleitores em redutos conservadores, que haviam levado o presidente ao seu segundo mandato há apenas dois anos, mudaram drasticamente de lado em favor dos democratas, impulsionados por uma profunda frustração com a guerra contra o Irã, ansiedade em relação ao alto custo de vida e raiva pela forma como Trump administra o país.

Vance procurou minimizar qualquer divergência de opinião com Trump, afirmando que o presidente também havia reconhecido que a guerra contra o Irã custou aos republicanos as eleições de meio de mandato na terça-feira. Mas Trump foi muito mais comedido, dizendo que a guerra contra o Irã foi apenas uma das várias razões para a derrota eleitoral.

“Fiz a coisa certa”, disse Trump ao Wall Street Journal. “Eu teria feito isso de novo.”

Marco Rubio, um possível rival de Vance em 2028, permaneceu em silêncio desde as eleições de meio de mandato.

A Casa Branca não se pronunciou sobre o assunto, mas encaminhou a Reuters aos comentários de Trump, feitos na manhã desta quarta-feira, nos quais ele concordou com a avaliação de Vance de que a guerra contra o Irã foi um fator determinante nas derrotas republicanas na terça-feira.

OPÇÕES PARA NOVOS ATAQUES

Trump iniciou a guerra contra o Irã em conjunto com Israel em fevereiro, prevendo um conflito breve que poderia levar ao fim do governo iraniano, ao qual ele chamou de “valentão do Oriente Médio”.

Embora os ataques tenham desferido golpes devastadores às Forças Armadas do Irã e às suas instalações subterrâneas de armazenamento de armas, o conflito se transformou em um impasse efetivo depois que um cessar-fogo em abril não conseguiu levar a um acordo de paz.

Desde então, o Irã recuperou parte de seu arsenal enterrado e ameaçou navios que passavam pelo Estreito de Ormuz, contribuindo para as preocupações com o abastecimento global de petróleo.

Sem um caminho claro para sair do conflito, Trump foi informado na semana passada pelo almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, sobre as opções para retomar as operações de combate, de acordo com duas fontes a par do assunto.

Mas avaliações dos serviços de inteligência dos EUA nos últimos meses indicaram que novos ataques ao Irã não alterariam fundamentalmente a posição de Teerã nas negociações nem levariam a uma mudança de regime, segundo um oficial de inteligência dos EUA e outros dois funcionários norte-americanos informados sobre os dados de inteligência.

Ainda assim, fontes a par das deliberações alertam que Trump ainda poderia decidir agir, observando que ele estava ciente dos riscos políticos antes das eleições de terça-feira e “simplesmente não se importou”.

Uma fonte disse que Trump não tinha nada a perder politicamente agora que as eleições de meio de mandato haviam terminado e que era mais provável que ele intensificasse a pressão sobre o Irã e seguisse em frente com um ataque ao país.

Uma segunda fonte concordou que o cenário mais provável era a retomada das hostilidades, dizendo: “Ele está planejando bombardear o Irã. Não deem ouvidos ao que ele está dizendo. Ele adiou a ação por causa das eleições de meio de mandato. Nós pedimos que ele esperasse até o fim das eleições.”

Todas as fontes falaram sob condição de anonimato.

CAMPANHA DE 2028

Os comentários de Vance poderiam ser vistos como o início de sua campanha para 2028, disse uma pessoa a par do assunto.

Alguns funcionários da Casa Branca foram informados antes da publicação de Vance.

Mas uma fonte da Casa Branca, em resposta a perguntas da Reuters, disse que a maioria, se não todos, dos funcionários seniores da Casa Branca foram pegos de surpresa pela publicação.

Os mediadores intensificaram os esforços para pôr fim à guerra em meio a temores de que ela possa reacender após a eleição.

Nas últimas semanas, Vance tem se inclinado mais fortemente para as negociações com o governo iraniano. Mas há poucos indícios de que o Irã esteja disposto a aceitar as exigências norte-americanas, incluindo a redução de seus níveis de enriquecimento nuclear a zero.

(Reportagem de Phil Stewart, Erin Banco, Nandita Bose, Steve Holland e Humeyra Pamuk; )

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