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Justiça manda Meta tirar do ar publicações que defendem demissão de funcionários por causa do voto

Reuters
Justiça manda Meta tirar do ar publicações que defendem demissão de funcionários por causa do voto
Justiça manda Meta tirar do ar publicações que defendem demissão de funcionários por causa do voto

BRASÍLIA, 30 Out (Reuters) - A Justiça do Trabalho determinou na quinta-feira que a Meta, dona de Facebook, Instagram, WhatsApp, Meta AI e Threads, retire no prazo de 24 horas publicações em suas plataformas que defendem a demissão de funcionários por causa do voto que deram no segundo turno da eleição presidencial do último domingo, vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na decisão, o juiz Bruno José Perusso, da 77ª Vara do Trabalho de São Paulo, também determinou multa de R$50 mil à Meta por cada publicação não retirada do ar, até o limite de R$500 mil, além da obrigatoriedade da empresa exibir, no prazo de 72 horas e por cinco dias, mensagem a todos os usuários do Facebook, do Instagram e do Threads informando que a discriminação por convicção política e o assédio eleitoral no emprego são proibidos por lei, sob pena de multa de R$200 mil em caso de descumprimento.

"A liberdade de expressão constitui vetor indispensável ao Estado Democrático de Direito, mas não é um direito absoluto e não autoriza o incentivo a práticas ilícitas, perseguições profissionais ou violações a direitos de personalidade de terceiros", disse o magistrado em sua decisão.

"Uma coisa é externar opinião política ou crítica partidária; outra, inteiramente distinta e ilícita, é utilizar as plataformas digitais para instigar a punição de trabalhadores por suas escolhas ideológicas, pois atinge um dos pilares do Estado Democrático de Direito e da República Federativa do Brasil que é o pluralismo político." 

Procurada, a Meta disse que não irá comentar.

Após Lula derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da eleição presidencial no domingo, surgiram nas redes sociais publicações de pessoas defendendo que empresários demitam funcionários que votaram em Lula, assim como passaram a circular listas de estabelecimentos que teriam apoiado a reeleição do petista para que fossem boicotados.

O episódio gerou reações do Ministério Público do Trabalho e do governo federal, que anunciaram a criação de um canal de denúncias e uma força-tarefa integrada para combater o assédio eleitoral.

(Reportagem de Ricardo Brito; Texto de Eduardo Simões; Edição de Tatiana Ramil)

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