A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou a aliados nesta quinta-feira, 30, que aceitou ser vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, de acordo com pessoas próximas à parlamentar ouvidas pelo Estadão/Broadcast . A definição ainda precisa passar pelo crivo do PP, que integra uma federação com o União Brasil.
A federação União Progressista tinha indicado neutralidade na eleição presidencial, o que poderia fragilizar a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A campanha de Flávio busca uma mulher para a vice, como parte do esforço para atrair o eleitorado feminino. Pesquisa Datafolha apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem, hoje, 50% das intenções de voto entre as eleitoras, enquanto Flávio registra 40%.
Em abril, Flávio chegou a afirmar que Tereza Cristina era "o sonho de consumo de todo mundo", ao ser questionado sobre quem seria o vice na sua chapa. A ex-ministra da Agricultura de Bolsonaro, contudo, resistia à ideia e indicava que sua intenção era concorrer à presidência do Senado. O mandato dela vai até 2031.
No último dia 21, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o acordo com a parlamentar do PP não havia avançado. "Não (houve acordo), ela me disse hoje que é candidata à presidência do Senado, que ela vai disputar a presidência do Senado e que esse é o objetivo dela", disse ele, em entrevista à CNN Brasil, após se reunir com a senadora.
De acordo com as pessoas próximas à senadora, Tereza Cristina e Flávio se reuniram no início da semana. Ainda há dúvida se o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), aceitará selar um acordo oficial com o PL.
Há alguns meses, Ciro via a aliança como provável, mas as negociações esfriaram por atritos nas disputas estaduais e pelas revelações das relações entre Flávio, Ciro e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ele chegou a sinalizar que a legenda não faria uma composição com o senador para o Planalto.
Tereza Cristina é citada há meses como uma das principais cotadas para vice de Flávio, por agregar votos com o eleitorado feminino, o agronegócio e o setor produtivo. Durante as negociações, Flávio passou a chamar Tereza de "Vozinha", como forma de criar uma proximidade com a senadora.
Tereza Cristina afirmou a Flávio Bolsonaro que será 'vice chata'
Durante as conversas que travou nos últimos dias com Flávio, Tereza Cristina afirmou que, se a chapa se concretizar, será uma "vice chata" e não figurativa, segundo apurou o Estadão/Broadcast .
As conversas sobre o posto foram retomadas no último fim de semana, quando Flávio voltou a procurá-la. Pessoas próximas da ex-ministra avaliam que o retorno do interesse ocorreu após movimentações de algumas alas partidárias e do agronegócio para lançar Tereza como cabeça de chapa de uma candidatura presidencial. Para reduzir essa possibilidade, o PL teria recomeçado as articulações e aumentado os esforços.
Tereza e Flávio, então, reuniram-se no início desta semana, quando a senadora afirmou estar disposta a aceitar a empreitada e disse que, se a aliança for selada, terá uma atuação ativa como vice. Aliados da senadora ainda temem, no entanto, que o PP crie empecilhos para o acordo, por causa de divergências estaduais com o PL.



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