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Rômulo Sena

Democracia ou fanatismo? Quando Deus é usado para endeusar políticos

Rômulo Sena
Por Rômulo Sena
23/10/2026 15h49 — em Rômulo Sena

A democracia nasceu para garantir a liberdade do povo, não para transformar líderes políticos em figuras intocáveis. Quando a fé se mistura ao fanatismo, quando o nome de Deus é utilizado para endeusar políticos, precisamos refletir: estamos defendendo a democracia ou alimentando uma perigosa devoção ao poder?

Deus não pertence a partidos políticos. A fé não tem dono, e a religião não deve ser instrumento de manipulação da consciência popular.

É preocupante quando pessoas passam a tratar determinados políticos como se fossem enviados divinos, incapazes de errar ou de serem questionados. Nesse cenário, a crítica é confundida com perseguição, a discordância torna-se inimiga da fé e a consciência individual é submetida à vontade de um líder.

A democracia, entretanto, exige liberdade de pensamento, respeito às diferenças e responsabilidade diante das escolhas coletivas.

O político é um ser humano. Tem virtudes, limitações, acertos e erros. Deve ser avaliado por suas atitudes, por seu compromisso com a sociedade e pela maneira como exerce o poder — jamais pela suposta santidade que seus seguidores lhe atribuem.

A Bíblia nos oferece uma advertência profunda sobre essa questão:

“Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço.”

Jeremias 17:5

Essa passagem nos convida a refletir sobre os perigos de depositar em seres humanos uma confiança absoluta, como se fossem capazes de resolver todos os problemas da existência.

A fé em Deus não deve nos tornar cegos diante da realidade. Pelo contrário, deve despertar em nós a consciência, a humildade e o discernimento.

Jesus Cristo não ensinou seus seguidores a endeusar governantes. Sua mensagem foi de amor, justiça, misericórdia e verdade. Utilizar o nome de Deus para promover ódio, intolerância ou submissão política é distorcer o sentido espiritual de sua mensagem.

A democracia não exige que todos pensem da mesma maneira. Ela exige que saibamos conviver com nossas diferenças.

O cidadão tem o direito de escolher seu candidato, defender suas convicções religiosas e participar da vida política. Mas nenhum político deve ocupar o lugar de Deus na consciência de um ser humano.

É preciso compreender que a liberdade religiosa e a liberdade política são direitos fundamentais. Uma sociedade democrática deve respeitar tanto aqueles que professam sua fé quanto aqueles que não seguem uma religião.

O Brasil precisa de cidadãos conscientes, não de seguidores cegos. Precisa de líderes comprometidos com o bem comum, não de figuras transformadas em ídolos.

Quando a fé é utilizada para manipular, a espiritualidade perde sua essência. Quando o fanatismo silencia a consciência, a democracia perde sua força.

Deus não precisa de políticos endeusados para manifestar sua grandeza. E a democracia não precisa de fanatismo para sobreviver.

Que a nossa fé nos ensine a amar, que a nossa consciência nos ensine a questionar e que a nossa democracia nos permita escolher livremente.

Porque nenhum homem é Deus. E nenhum poder humano deve estar acima da verdade, da justiça e da dignidade do povo.

Rômulo Sena

Rômulo Sena

Escritor Brasileiro • Autor de Vários Livros • Jornalista • Professor • Poeta • Apresentador de TV • Palestrante Fundador da Escola Arte e Cultura Amazonas – Brasil

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