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Rômulo Sena

Maria do Carmo Seffair: da gestão educacional à disputa pelo poder no Amazonas

Rômulo Sena
Por Rômulo Sena
13/10/2026 11h24 — em Rômulo Sena

A trajetória de Maria do Carmo Seffair Lins de Albuquerque, conhecida como Professora Maria do Carmo, reúne empreendedorismo, educação superior e uma entrada relativamente recente na política eleitoral. Aos 66 anos, a empresária e educadora disputa o Governo do Amazonas pelo Partido Liberal (PL), levando para o debate público uma experiência construída principalmente na iniciativa privada e um desafio central: demonstrar como essa trajetória pode se traduzir em resultados na administração estadual.

Natural de Manaus, onde nasceu em 26 de novembro de 1959, Maria do Carmo é formada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e em Direito pela Universidade Nilton Lins. Também possui mestrado em Direito Processual pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas). Há mais de duas décadas, está à frente de atividades relacionadas ao ensino superior, tendo como principal referência a Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro), fundada ao lado do marido, Wellington Lins de Albuquerque.

A construção de uma trajetória empresarial

A expansão da Fametro representa o capítulo mais conhecido da vida profissional de Maria do Carmo.

A instituição ampliou sua atuação no ensino superior e consolidou a presença da família no setor educacional amazonense. Além da gestão do Centro Universitário Fametro, sua atuação também está relacionada à Faculdade Santa Teresa e ao Centro Preparatório Jurídico (CPJUR).

Essa experiência constitui um dos principais argumentos apresentados por Maria do Carmo para justificar sua entrada na política.

A gestão de uma instituição privada de ensino envolve decisões administrativas, planejamento, organização de equipes e sustentabilidade financeira. Entretanto, a administração pública opera sob regras e responsabilidades diferentes, com orçamento submetido ao controle público, obrigações legais, fiscalização institucional e necessidade de atender a uma população heterogênea.

É justamente nessa transição que se encontra uma das questões centrais de sua trajetória política: em que medida a experiência acumulada no setor educacional pode ser aplicada à gestão de um estado com as dimensões territoriais, as desigualdades sociais e as dificuldades logísticas do Amazonas?

A pergunta não diminui a importância da experiência empresarial, mas estabelece um critério objetivo para sua avaliação pública: a capacidade de transformar conhecimentos administrativos em políticas efetivas, transparentes e acessíveis à população.

Da estreia eleitoral à disputa pelo Governo do Amazonas

A entrada de Maria do Carmo na política ocorreu em 2024, quando integrou como candidata a vice-prefeita a chapa de Capitão Alberto Neto, do PL, na eleição municipal de Manaus.

A candidatura chegou ao segundo turno e terminou com 45,41% dos votos, contra 54,59% da chapa vencedora, liderada por David Almeida. O resultado deu visibilidade eleitoral à empresária e abriu caminho para sua participação na disputa estadual.

Em 2026, filiada ao PL, Maria do Carmo passou a disputar pela primeira vez o cargo de governadora.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, recebeu 507.335 votos, equivalentes a 24,49% dos votos válidos, e garantiu a segunda colocação.

O senador Omar Aziz (PSD), que já governou o estado, terminou em primeiro lugar, com 40,63%. Os dois avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

A passagem de uma eleição municipal para uma disputa estadual amplia significativamente a dimensão dos desafios políticos enfrentados pela candidata.

Na capital, o debate se concentra em questões urbanas, como mobilidade, saneamento, segurança e serviços municipais.

Na eleição para o governo, entram em pauta também a rede estadual de saúde e educação, a segurança pública, a infraestrutura intermunicipal, a logística do interior e a relação do Amazonas com o governo federal.

A candidatura de Maria do Carmo se apoia, em parte, na defesa de renovação administrativa e na experiência acumulada no setor privado. A estratégia procura estabelecer uma alternativa à trajetória de grupos políticos que há anos ocupam posições de destaque no estado. Contudo, apresentar-se como alternativa é apenas o ponto de partida: o alcance dessa proposta depende da consistência do programa de governo, da capacidade de articulação política e da viabilidade das medidas anunciadas.

Propostas e os desafios da execução

Entre as propostas divulgadas durante a campanha de 2026 estão a ampliação do Auxílio Estadual para R$ 300, a implantação gradual de escolas de tempo integral em toda a rede estadual e a construção de uma via expressa estimada em R$ 3,8 bilhões. A candidata também defende a criação de uma polícia penal.

As iniciativas abrangem áreas distintas e exigem avaliações específicas.

A ampliação de benefícios sociais depende de previsão orçamentária e critérios claros de atendimento. A universalização do ensino em tempo integral demanda investimentos em infraestrutura, contratação de profissionais, alimentação escolar e planejamento de longo prazo. Já um empreendimento viário de grande porte exige estudos técnicos, definição de fontes de financiamento, avaliação ambiental e transparência nos contratos.

Esses aspectos são particularmente relevantes no Amazonas, onde a extensão territorial, a dependência do transporte fluvial em diversas regiões e as diferenças de acesso aos serviços públicos entre a capital e os municípios do interior impõem obstáculos à execução de políticas estaduais.

A análise das propostas, portanto, não deve se limitar aos objetivos anunciados.

É necessário examinar os custos, os prazos, as fontes de recursos, os indicadores de resultado e os mecanismos de fiscalização. São esses elementos que permitem distinguir compromissos políticos de planos efetivamente executáveis.

Capital político, representação feminina e disputa eleitoral

A candidatura também se insere em um contexto mais amplo de representação feminina na política brasileira.

A presença de uma mulher na disputa pelo comando do Amazonas amplia a diversidade de perfis no processo eleitoral, mas não elimina, por si só, as barreiras históricas à participação feminina nos espaços de poder.

No caso de Maria do Carmo, a experiência como empresária e dirigente educacional constitui parte central de sua identidade pública.

Ao mesmo tempo, sua carreira política ainda é recente, o que torna a campanha de 2026 um momento importante para a consolidação de suas posições e para a apresentação de respostas aos problemas estruturais do estado.

O segundo turno contra Omar Aziz coloca em confronto trajetórias distintas: de um lado, a experiência de um político que já ocupou o governo estadual e exerce mandato no Senado; de outro, uma empresária que busca converter sua experiência na iniciativa privada em um projeto de administração pública. Essa diferença permite ao eleitor comparar não apenas biografias, mas também propostas, prioridades e capacidade de execução.

A disputa será definida pela decisão dos eleitores em 25 de outubro. Até lá, o debate público terá papel fundamental para esclarecer as diferenças entre os projetos, verificar os compromissos assumidos e avaliar as respostas apresentadas para os desafios do Amazonas.

Uma trajetória sob o escrutínio público

A trajetória de Maria do Carmo Seffair revela a passagem de uma carreira concentrada na educação superior e na gestão empresarial para uma atuação política de alcance estadual. Sua experiência à frente de instituições de ensino é um elemento relevante de sua biografia, mas a administração pública exige competências adicionais, transparência, prestação de contas e capacidade de conciliar interesses diversos.

Mais do que a origem empresarial ou o discurso de renovação, o que estará em avaliação é a consistência de seu projeto para o Amazonas e a capacidade de responder às demandas da população, especialmente nas áreas de saúde, educação, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico.

Em uma eleição marcada por diferentes trajetórias e visões de gestão, o papel do jornalismo é contextualizar os fatos, confrontar promessas com dados e oferecer informações que permitam ao cidadão formar sua própria opinião.

A trajetória de Maria do Carmo Seffair chega, assim, a um novo capítulo. O resultado da disputa eleitoral definirá seu próximo passo político, enquanto o exame de sua biografia, de suas propostas e de seus compromissos continuará sendo essencial para compreender o lugar que pretende ocupar no futuro do Amazonas.

Rômulo Sena

Rômulo Sena

Escritor Brasileiro • Autor de Vários Livros • Jornalista • Professor • Poeta • Apresentador de TV • Palestrante Fundador da Escola Arte e Cultura Amazonas – Brasil

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