A trajetória de Rômulo Sena mostra que sonhos podem nascer de uma iniciativa individual, mas sua realização é construída com pessoas, oportunidades, parcerias e trabalho coletivo.
Há momentos em que a vida nos faz acreditar que precisamos resolver tudo sozinhos. Como se pedir ajuda fosse sinal de fraqueza ou como se o mérito de uma conquista pertencesse exclusivamente a quem aparece no resultado final.
Mas a experiência demonstra uma realidade simples: ninguém constrói uma grande trajetória completamente sozinho.
Podemos ter sonhos, ideias, coragem e determinação. Podemos dar o primeiro passo. Porém, no caminho, encontramos pessoas que acreditam, incentivam, orientam, colaboram e, muitas vezes, ajudam a transformar uma ideia em realidade.
Minha própria trajetória é um exemplo disso.
Ao longo dos anos, como jornalista, escritor, professor, palestrante, apresentador, produtor cultural e estudante de Direito, aprendi que cada projeto nasce de uma vontade, mas cresce quando encontra pessoas dispostas a contribuir.
Um sonho chamado ALACA
A criação da ALACA — Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia, fundada em 3 de agosto de 2022, nasceu de um sonho e de uma iniciativa pessoal: criar um espaço dedicado à literatura, à arte e à cultura da Amazônia e do Brasil.
Mas uma academia não se constrói com uma única pessoa.
Depois da ideia inicial, vieram os membros, escritores, artistas, professores, colaboradores e parceiros que passaram a fazer parte dessa caminhada.
Cada reunião, cada evento, cada publicação, cada homenagem e cada novo projeto representa um pouco do esforço coletivo.
A ALACA tornou-se, assim, um exemplo de que uma ideia pode começar com uma pessoa, mas precisa de muitas mãos para crescer.
A Casa do Escritor
Outro projeto que representa essa caminhada é a Casa do Escritor Júlio Antônio Lopes, concebida como um espaço de valorização da literatura e da cultura.
Projetos dessa dimensão não são feitos apenas de paredes, documentos ou planejamento. São feitos de pessoas.
Há quem contribua com trabalho, quem ofereça conhecimento, quem ajude na organização, quem divulgue, quem incentive e quem simplesmente diga uma palavra de apoio no momento certo.
Por isso, quando olho para cada etapa dessa construção, percebo que ela também carrega a participação de muitas pessoas.
Os livros também não nascem sozinhos
A literatura talvez seja outro exemplo claro.
O nome do autor aparece na capa, mas um livro envolve diagramador, revisor, editor, gráfica, divulgadores, leitores, amigos e tantos outros profissionais e colaboradores.
Nos meus projetos literários, essa realidade se repete.
Livros como As Aventuras de Rominho, Entre Agora e o Fim, O Valor dos Provérbios, Da Solidão à Solitude e outros projetos que venho desenvolvendo carregam não apenas minhas ideias, mas também a contribuição daqueles que ajudam a transformar palavras em livros.
Quando uma obra chega às mãos de um leitor, existe atrás dela uma história que vai muito além do nome impresso na capa.
BR-319: uma estrada e muitas mãos
O projeto BR-319 — Da Amazônia para o Mundo, que envolve livro, documentário e produção jornalística, também reforçou essa compreensão.
A viagem pela BR-319, de Manaus em direção a Porto Velho e posteriormente a São Paulo, não foi apenas uma experiência pessoal. Foi uma oportunidade de observar realidades, ouvir pessoas, conhecer cidades e compreender melhor a importância dessa ligação para a Amazônia.
Ao longo desse projeto, encontrei pessoas que contribuíram de diferentes maneiras.
Houve apoio cultural, incentivo, palavras de confiança, contatos, informações e colaboração.
A Eucatur, por exemplo, tornou-se uma parceira importante nessa caminhada, acreditando no projeto e contribuindo para que essa experiência pudesse ser transformada em conteúdo.
E aqui está uma das grandes lições que a vida me ensinou: nem todo apoio é dinheiro.
Às vezes, uma palavra amiga vale muito.
Uma porta aberta pode mudar uma trajetória.
Um contato pode aproximar pessoas.
Uma oportunidade pode transformar um projeto.
Um simples “continue” pode impedir que alguém desista.
As pessoas que ficam pelo caminho
Em qualquer trajetória existem pessoas que aparecem por um período e outras que permanecem durante anos.
Algumas participam de momentos específicos. Outras acompanham diferentes fases da caminhada.
Há também aquelas que talvez nem percebam a dimensão da contribuição que deram.
Um conselho, uma indicação, uma parceria ou uma palavra de incentivo pode parecer algo pequeno para quem oferece, mas representar muito para quem recebe.
Por isso, reconhecer as pessoas que fizeram parte da nossa caminhada não diminui nosso esforço. Pelo contrário: demonstra maturidade e gratidão.
O jornalista, o escritor e o homem por trás dos projetos
Minha caminhada profissional também foi construída por encontros.
O jornalismo me ensinou a ouvir.
A literatura me ensinou a observar.
A cultura me ensinou a valorizar nossas raízes.
A vida acadêmica e o estudo do Direito vêm ampliando minha compreensão sobre sociedade, cidadania e responsabilidade.
Cada uma dessas experiências foi construída com aprendizado e convivência.
Ninguém aprende tudo sozinho.
Ninguém chega pronto.
Somos resultado também das pessoas que encontramos, dos lugares que conhecemos, das oportunidades que recebemos e das experiências que enfrentamos.
O verdadeiro sentido da conquista
Existe uma diferença entre conquistar algo e reconhecer quem ajudou na conquista.
Quando olhamos apenas para o resultado, podemos imaginar que tudo aconteceu pelas nossas próprias forças.
Quando olhamos para o caminho, percebemos quantas pessoas estiveram presentes.
É por isso que acredito que uma trajetória não deve ser medida somente pelos cargos ocupados, pelos livros publicados, pelos projetos realizados ou pelos eventos promovidos.
Deve ser medida também pelas pessoas que foram alcançadas e pelas portas que conseguimos ajudar a abrir para outras pessoas.
Ninguém constrói sozinho
Talvez essa seja uma das maiores lições que aprendi ao longo da vida.
Podemos começar sozinhos.
Podemos sonhar sozinhos.
Podemos ter uma ideia que nasce dentro de nós.
Mas, para transformar um sonho em realidade, precisamos de pessoas.
Foi assim na construção da minha trajetória profissional.
Foi assim na literatura.
Foi assim na criação da ALACA.
Foi assim na construção da Casa do Escritor.
E está sendo assim no projeto BR-319 — Da Amazônia para o Mundo.
Por trás de cada realização existem mãos que ajudaram, vozes que incentivaram, pessoas que acreditaram e encontros que abriram novos caminhos.
Por isso, quando alguém pergunta qual é o segredo para construir uma trajetória, talvez a resposta não esteja apenas na força individual.
Está também na capacidade de somar, compartilhar, agradecer e reconhecer.
Porque ninguém constrói uma história relevante sozinho.
Sozinho na vida, não se faz nada.
A vida é feita de encontros.
Os sonhos são fortalecidos por pessoas.
E as grandes realizações são construídas quando diferentes mãos se unem em torno de um propósito.
No final, talvez o maior patrimônio de uma trajetória não seja aquilo que conseguimos guardar para nós, mas aquilo que conseguimos construir com os outros e para os outros.
Rômulo Sena
Escritor Brasileiro • Autor de Vários Livros • Jornalista • Professor • Poeta • Apresentador de TV • Palestrante Fundador da Escola Arte e Cultura Amazonas – Brasil
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