O consumo excessivo de bebidas energéticas e suplementos com alta concentração de cafeína e estimulantes pode representar sérios riscos ao coração, especialmente entre o público jovem. A conclusão faz parte de uma nova pesquisa que será apresentada no encontro anual da Associação Americana do Coração (AHA), evento realizado até esta segunda-feira (9).
De acordo com o levantamento, que analisou notificações de segurança registradas entre 2017 e 2025 no banco de dados da agência reguladora dos Estados Unidos (FDA), ocorrências de parada cardíaca foram cerca de 11 vezes mais frequentes em associação com produtos contendo cafeína e estimulantes do que em relação a outros itens alimentares.
Riscos ampliados e impacto na faixa etária jovem
Os dados indicam que as notificações envolvendo esses produtos apresentavam uma probabilidade cerca de 4,5 vezes maior de relatar episódios de infarto e quatro vezes maior de mencionar arritmias ventriculares ou palpitações severas.
O estudo chama a atenção para o impacto gerado entre adultos jovens: cerca de 45% das notificações de eventos cardiovasculares associados a energéticos e suplementos envolviam indivíduos na faixa etária de 18 a 34 anos. Profissionais de saúde têm relatado episódios de arritmia e morte súbita em jovens sem histórico prévio ou fatores de risco conhecidos para doenças cardíacas.
Concentração de cafeína e recomendações
Segundo diretrizes científicas da AHA, o consumo diário de até 400 mg de cafeína — o equivalente a cerca de cinco xícaras de café tradicional — é considerado seguro para a maioria dos adultos. No entanto, especialistas alertam que determinados energéticos e suplementos "pré-treino" podem apresentar concentrações de cafeína e substâncias estimulantes muito superiores às encontradas em bebidas convencionais.
Os pesquisadores apontam que a alta frequência de ocorrências em jovens pode estar relacionada a fatores como o padrão de consumo excessivo, a associação com atividades físicas intensas, a mistura com álcool ou substâncias ilícitas, ou ainda a condições cardíacas pré-existentes ainda não diagnosticadas.
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