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Silvia Simões

11 de setembro: quando as Torres caíram, até o Amazonas sentiu o abalo

Silvia Simões
Por Silvia Simões
11/09/2026 10h36 — em Silvia Simões

De Manaus, a milhares de quilômetros de Nova York, o mundo parecia distante. Mas naquele dia descobrimos que nenhuma fronteira é grande o suficiente para nos proteger das mudanças do planeta.

Abaixo está uma proposta de coluna nessa linha:

11 DE SETEMBRO: QUANDO AS TORRES CAÍRAM, ATÉ O AMAZONAS SENTIU O ABALO

A Amazônia estava longe de Nova York, mas ninguém estava longe demais para escapar das consequências daquele dia que mudou o mundo

Tem dias que começam como qualquer outro. A pessoa acorda. Toma café. Sai para trabalhar. Liga a televisão. E, de repente, percebe que o mundo acabou de mudar . Foi assim em 11 de setembro de 2001 . Em Nova York, duas das torres mais conhecidas do planeta foram atingidas por aviões sequestrados. Em poucos minutos, o que parecia impossível estava diante dos olhos de milhões de pessoas.

As torres caíram. O Pentágono foi atingido. Outro avião caiu na Pensilvânia. E uma pergunta atravessou o mundo:

“O que está acontecendo?”

Em Manaus, naquele dia, a pergunta também chegou.

E talvez tenha chegado com uma força ainda maior justamente porque o Amazonas parecia tão distante daquele cenário.

Aqui não havia arranha-céus de centenas de metros.

Não havia Wall Street na esquina. Não havia metrô nova-iorquino. Não havia as torres do World Trade Center. Havia a nossa Manaus.

O Rio Negro. A floresta. O calor. O trânsito. A vida amazônica seguindo seu curso. Mas naquele dia descobrimos uma coisa que parece óbvia hoje: O mundo pode ser enorme, mas ficou pequeno.

A AMAZÔNIA TAMBÉM ESTAVA LIGADA AO MUNDO

Depois do 11 de setembro, muita coisa mudou.

Mudaram os aeroportos. Mudaram os procedimentos de segurança. Mudaram as relações internacionais. Mudou a maneira como os governos passaram a enxergar o terrorismo.

Mudou a aviação. Mudou o controle de fronteiras. E mudou, inclusive, a sensação de segurança de quem simplesmente queria viajar de avião. E o Amazonas, apesar de sua distância geográfica, não ficou fora dessas transformações. Manaus é uma cidade conectada ao Brasil e ao mundo.

Tem aeroporto internacional. Recebe visitantes. Exporta produtos. Importa mercadorias.

Possui uma das maiores concentrações industriais da América Latina.

E está no coração de uma região estratégica para o Brasil.

Quando o mundo muda, o Amazonas sente.

Às vezes no preço. Às vezes no comércio. Às vezes na segurança. Às vezes nas viagens. Às vezes na maneira como enxergamos nossas próprias fronteiras.

E AQUI ESTÁ A GRANDE PERGUNTA

Passados 25 anos daquele 11 de setembro, talvez seja hora de fazer uma pergunta amazônica:

Será que o Amazonas está preparado para um mundo em que a segurança deixou de ser apenas uma questão local?

Porque nossa geografia é uma bênção. Mas também é um desafio. Temos uma imensidão territorial. Rios que funcionam como estradas. Comunidades isoladas. Fronteiras internacionais. Áreas de difícil acesso. Uma floresta gigantesca. E uma população espalhada por um território que parece não terminar. Isso significa que falar de segurança no Amazonas nunca foi apenas falar de policiamento na esquina.

É falar de fronteiras, rios, aeroportos, portos, comunicação, inteligência, tecnologia e cooperação entre instituições.

O AMAZONAS NÃO É NOVA YORK. E AINDA BEM!

Aqui entra uma ressalva importante.

Não se trata de comparar Manaus com Nova York.

Muito menos de transformar a Amazônia em cenário de medo.

O 11 de setembro foi um acontecimento específico, com circunstâncias próprias e consequências globais. A questão é outra.

O mundo aprendeu naquele dia que ameaças que parecem distantes podem produzir consequências muito próximas.

E essa talvez seja uma das grandes lições para uma região como o Amazonas.

Não precisamos viver com medo.

Precisamos viver preparados .

DA COBRA GRANDE AO MUNDO GLOBALIZADO

E olha onde fomos parar. Outro dia estávamos preocupados se a Cobra Grande ia mexer. Esperando terremoto. Falando de lendas amazônicas. Reclamando do calor.

E agora estamos aqui lembrando o dia em que o mundo inteiro parou diante das imagens de Nova York. É justamente essa mistura que faz o Amazonas ser tão interessante.

Vivemos entre o passado e o futuro. Entre a lenda e a tecnologia. Entre a canoa e o avião.

Entre o isolamento geográfico e a conexão instantânea com o planeta inteiro.

O caboclo pode estar navegando pelo interior do Amazonas enquanto, no mesmo instante, seu celular recebe uma notícia que aconteceu do outro lado do mundo.

Essa é a Amazônia do século XXI.

VINTE E CINCO ANOS DEPOIS

O 11 de setembro não deve ser lembrado apenas pelas imagens das torres caindo. Deve ser lembrado pelas vidas perdidas. Pelas famílias destruídas.

Pelos profissionais que correram em direção ao perigo para salvar desconhecidos. E pelas profundas mudanças que vieram depois. Mas também deve servir para uma reflexão brasileira. E, principalmente, amazônica.

Segurança não é luxo. Prevenção não é exagero. Inteligência não é paranoia. Cooperação não é opção.

Em uma região do tamanho do Amazonas, segurança exige planejamento.

Exige tecnologia. Exige presença do Estado.

Exige integração. E exige compreender que nossas características geográficas não podem ser tratadas apenas como dificuldades.

Elas também precisam ser transformadas em estratégia.

Porque se existe uma coisa que o 11 de setembro ensinou ao planeta é que ninguém vive completamente isolado. Nem mesmo quem está no coração da maior floresta tropical do mundo.

E TALVEZ ESSA SEJA A MAIOR LIÇÃO

Naquela manhã de setembro, as pessoas em Manaus estavam a milhares de quilômetros de Nova York.

Mas assistiram às imagens. Sentiram o impacto. Comentaram nas ruas. Ligaram para familiares. Tentaram entender. E continuaram a vida. Porque a vida sempre continua. Só que continua diferente. Vinte e cinco anos depois, talvez possamos olhar para aquele dia com menos espanto e mais reflexão. O Amazonas não precisa ter medo do mundo.

Precisa estar preparado para ele.

Porque a floresta pode parecer distante. O Rio Negro pode parecer imenso. Manaus pode parecer isolada. Mas, em um planeta conectado por aviões, internet, comércio, informação e tecnologia...

ninguém está tão longe quanto imagina. E talvez o 11 de setembro tenha deixado justamente essa mensagem:

Quando o mundo muda, até o coração da Amazônia sente o abalo.

Eu gosto muito desse caminho porque ele mantém a identidade do Portal: começa com o fato histórico, traz o leitor para Manaus e termina falando de segurança pública e preparação do Amazonas , que é um assunto que conversa muito com as suas outras colunas.

E ainda dá para colocar uma segunda camada, bem mais amazônica: “O que o 11 de Setembro ensinou ao Amazonas sobre suas fronteiras, rios e segurança 25 anos depois?” Essa poderia ficar ainda mais forte.

Silvia Simões

Silvia Simões

Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]

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