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Silvia Simões

7 de Setembro: independência ou morte?

Silvia Simões
Por Silvia Simões
07/09/2026 11h56 — em Silvia Simões

7 DE SETEMBRO: INDEPENDÊNCIA OU MORTE? EM MANAUS, A COBRA DA MATRIZ JÁ ESTÁ DE OLHO...

Entre videntes, terremotos e velhos causos amazônicos, uma pergunta começa a circular: será que a terra vai tremer ou é apenas a imaginação do manauara fazendo barulho?

Manaus não precisa de muito para transformar uma notícia em história, uma história em lenda e uma lenda em assunto de família.

Basta alguém dizer:

“Estão dizendo que Manaus vai tremer no dia 7 de setembro...”

Pronto. Em cinco minutos, a informação já ganhou testemunha, explicação, antecedente histórico e, dependendo de quem estiver na roda, até horário marcado. E foi assim que algumas previsões atribuídas a videntes, apontando o 7 de setembro de 2026 como uma possível data para um terremoto em Manaus, começaram a alimentar a imaginação popular.

Mas calma lá!

Vidente pode prever. Ciência é quem confirma.

Até porque terremoto não manda convite, não avisa pelo WhatsApp e muito menos costuma respeitar calendário cívico.

Mas aí alguém lembrou dela.

A cobra da Matriz.

A VELHA COBRA QUE MORA DEBAIXO DE MANAUS

Quem é de Manaus, principalmente quem cresceu ouvindo os antigos, provavelmente já escutou alguma versão dessa história. Debaixo do relógio da Matriz, diziam os antigos, existiria uma enorme cobra. Não era cobrinha de quintal, não. Era cobra de respeito.

Daquelas que, segundo o imaginário popular, seriam capazes de fazer a própria cidade sentir quando resolvessem se mexer. E aí vem a parte que transforma o simples causo em lenda: quando a cobra se mexesse, Manaus tremeria.

Agora me diga uma coisa: Se você fosse uma cobra gigantesca, enterrada há décadas debaixo de uma cidade inteira, vendo Manaus crescer, mudar, se transformar e ficar cada vez mais barulhenta...

uma hora você não teria vontade de se mexer também?

E JUSTO NO 7 DE SETEMBRO?

Aqui é que o causo fica bom. O Brasil comemora sua Independência no dia 7 de setembro. Historicamente, a data ficou marcada pelo famoso:

“Independência ou Morte!”

Agora imagine isso sendo contado em versão amazônica:

“Independência ou... a cobra acordou!”

É quase impossível não imaginar Dom Pedro I olhando para o Amazonas e perguntando:

“E essa cobra aí?”

E algum manauara responderia:

“Deixa quieta, Majestade. Melhor não mexer nesse assunto.”

VIDENTES DE UM LADO. A COBRA DO OUTRO.

De um lado, aparecem previsões circulando pelas redes sociais.

Do outro, a ciência, que não trabalha com adivinhação, mas com monitoramento, estudos geológicos e evidências. E no meio dos dois… o imaginário amazônico. Esse não precisa de comprovação. Ele sobrevive há gerações.

É o boto, a cobra-grande, a Matinta, as histórias de assombração, os mistérios dos rios, as casas antigas, os sons vindos da mata e aquele velho conhecido: “Meu avô dizia…” E quando começa com “meu avô dizia”, meu amigo… Prepare-se. Porque vem história.

MAS SERÁ QUE MANAUS VAI TREMER?

Aqui precisamos colocar os pés no chão — ou, neste caso, esperar que o chão permaneça bem quietinho.

Não existe método científico capaz de afirmar, com precisão, que um terremoto acontecerá em determinado dia e horário. Portanto, previsões de videntes sobre um terremoto em Manaus no dia 7 de setembro devem ser tratadas como previsões, não como fatos . Isso não significa que a conversa não seja interessante. Muito pelo contrário. Ela mostra como uma cidade preserva suas histórias.

Porque a cobra pode não estar debaixo da Matriz. Mas a história dela está. E está viva.

O AMAZONENSE TEM MEMÓRIA

Talvez seja justamente isso que torna Manaus tão especial. Aqui, o passado não desaparece completamente. Ele fica escondido nas fotografias antigas, nos jornais, nos prédios históricos, nas praças, nas igrejas e principalmente na boca de quem ouviu uma história de alguém que ouviu de outro alguém. A ciência pode explicar um tremor. A história pode explicar a Independência. Mas somente o amazonense consegue juntar os dois assuntos e ainda colocar uma cobra gigante no meio.

Isso é patrimônio imaterial do nosso imaginário.

ENTÃO, O QUE ESPERAR DO 7 DE SETEMBRO?

Talvez nada aconteça. Talvez o dia seja apenas mais um feriado, com bandeira brasileira, desfile, família reunida e aquela tradicional discussão sobre onde comer depois.

Talvez algum tremor seja registrado — e, se isso acontecer, caberá aos especialistas explicar sua origem. Ou talvez a única coisa que realmente trema seja o celular de tanta mensagem chegando:

“Tu sentiu?”

“Aqui tremeu!”

“Foi a cobra!”

“Eu avisei!”

E, no final, alguém inevitavelmente vai dizer:

“Eu sabia. Meu avô já contava isso.”

E pronto. Nasce mais um capítulo da história de Manaus.

INDEPENDÊNCIA OU MORTE?

No Brasil, a frase entrou para a História.

Em Manaus, talvez possamos acrescentar uma versão cabocla:

“Independência ou morte?”

Não.

“Independência, cautela e... deixa a cobra dormindo.”

Porque uma coisa é certa:

não sabemos se a terra vai tremer no dia 7 de setembro.

Mas a imaginação do manauara?

Essa já está tremendo faz tempo.

E se, por acaso, alguém ouvir um barulho vindo lá de baixo...

Não precisa sair correndo.

Primeiro pergunte:

“Foi um terremoto ou a cobra da Matriz virou de lado?”

Só não espere a resposta.

Porque, em Manaus, certas lendas têm o péssimo hábito de permanecer em silêncio...

justamente quando a gente mais quer saber a verdade.

Silvia Simões

Silvia Simões

Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]

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