Tem coisa que brasileiro aprende desde cedo: esperar o ônibus, pagar boleto, enfrentar fila e acreditar que “agora vai”. O problema é que, na política, esse “agora vai” já virou promessa repetida em tantas eleições que, se fosse passagem de ônibus, já teria dado a volta no Brasil inteiro.
Mas existe uma coisa que continua nas mãos do povo: o voto.
E voto não é favor. Não é moeda de troca. Não é prêmio para amigo, parente ou conhecido. Muito menos deveria ser vendido por uma promessa bonita, um benefício momentâneo ou aquele famoso “depois a gente vê isso”.
O voto é uma das ferramentas que o cidadão possui para participar das decisões que vão influenciar a própria vida.
A Constituição brasileira é clara ao estabelecer que a cidadania e a dignidade da pessoa humana são fundamentos da República e que todo o poder emana do povo. (Planalto)
E é justamente aí que começa a nossa responsabilidade.
Queremos um Brasil onde nossas crianças possam crescer com educação de qualidade, nossas escolas sejam lugares de proteção e conhecimento, nossos jovens encontrem oportunidades, os trabalhadores tenham dignidade, as famílias possam viver com segurança e nossos idosos sejam tratados com o respeito que uma vida inteira merece.
Queremos um país onde saúde não seja sinônimo de peregrinação, onde educação não seja promessa de palanque e onde combater a corrupção não seja apenas frase bonita estampada em época de eleição.
Porque o Brasil não é propriedade de quem ocupa um gabinete.
O Brasil pertence ao povo.
E quem recebe do povo o mandato para governar precisa entender que cargo público não é trono, é responsabilidade.
Escândalos, denúncias, desvios de recursos e casos de corrupção, quando comprovados pelas instituições competentes, não deveriam ser tratados como novela das oito. O dinheiro público tem endereço: escola, hospital, estrada, segurança, saneamento, ciência, assistência social e tantos outros serviços que chegam — ou deveriam chegar — à população.
E quando esses recursos são mal utilizados, quem paga a conta não é o político.
É o cidadão. É a mãe que espera atendimento. É o jovem que procura emprego. É o trabalhador que depende do transporte público. É o estudante que precisa de uma escola estruturada. É o idoso que enfrenta dificuldades para conseguir atendimento.
É a família que olha para o futuro e pergunta: “E amanhã, como vai ser?”
Por isso, votar conscientemente exige mais do que conhecer o número de alguém.
É preciso conhecer propostas, trajetórias públicas, atribuições do cargo e, principalmente, separar informação de propaganda.
O próprio Tribunal Superior Eleitoral tem reforçado a importância do acesso a informações confiáveis para o exercício consciente do voto e mantém canais oficiais para combater a desinformação eleitoral. (Tribunal Superior Eleitoral)
Porque, convenhamos: se até para comprar uma televisão o caboco pesquisa preço, reclama da garantia e olha avaliação na internet, por que não pesquisar quem pretende administrar o dinheiro público?
Não custa nada perguntar: O que essa pessoa já fez? O que está propondo? De onde virão os recursos? O cargo que ela disputa realmente permite fazer aquilo que está prometendo? Como foi sua atuação pública anterior?
E, principalmente: essa proposta atende ao interesse coletivo ou apenas ao discurso da campanha?
Não precisamos pensar todos da mesma maneira. Democracia também é aceitar que o vizinho pode pensar diferente, desde que todos tenham liberdade para escolher e responsabilidade para respeitar a escolha alheia.
O voto consciente não exige torcida organizada.
Exige atenção. Não exige paixão cega. Exige informação. Não exige que ninguém tenha o mesmo candidato que você.
Exige apenas que cada cidadão compreenda o tamanho da responsabilidade que carrega quando entra na cabine de votação.
E olha que coisa danada: a gente reclama da política durante quatro anos, mas às vezes dedica apenas quatro minutos para escolher quem vai ocupar um cargo pelos próximos anos.
Aí é dose, meu amigo!
É como escolher o piloto de um avião olhando apenas para o sorriso dele na fotografia.
O Brasil que queremos para nossas crianças, jovens, adultos e idosos não será construído somente por quem vencer uma eleição.
Será construído também pela sociedade que fiscaliza, cobra, participa e não aceita que o interesse público seja tratado como propriedade particular.
O voto é o começo. Depois dele vem a cobrança. Vem a fiscalização. Vem a participação. Vem a cidadania.
Porque democracia não é colocar o voto na urna e esquecer até a próxima eleição.
Democracia também é perguntar, acompanhar e cobrar.
O Brasil é um país lindo, diverso, rico em cultura, natureza, criatividade e gente trabalhadora.
Do Oiapoque ao Chuí — e aqui no Amazonas a gente ainda tem o privilégio de morar no meio dessa imensidão verde que parece ter sido desenhada por Deus com régua de floresta — existe um povo que merece viver com dignidade.
Não queremos um país perfeito. Queremos um país que funcione. Queremos justiça. Queremos oportunidades. Queremos segurança. Queremos educação. Queremos saúde. Queremos respeito.
E queremos que o dinheiro público seja tratado com a seriedade que o suor do trabalhador merece. No fim das contas, talvez a pergunta mais importante antes de votar não seja:
“Quem eu gosto? Mas:
“Que Brasil eu quero ajudar a construir?”
Porque o voto dura alguns segundos. Mas as consequências de uma escolha podem durar anos. E se existe uma esperança capaz de atravessar gerações, ela começa quando o cidadão percebe que seu voto não é pequeno.
Pequeno é achar que ele não faz diferença.
O futuro do Brasil também passa pela nossa consciência. E dessa vez, meu amigo, não adianta depois dizer:
“Eu não sabia.”
Pesquise. Compare. Questione. Pense.
O Brasil que queremos começa também na escolha que fazemos diante da urna.
Acho que essa versão ficou com o tom de crônica/opinião do Portal, mas sem transformar o texto em propaganda política. E tem uma sacada que pode funcionar muito bem como chamada do portal: “Se até para comprar uma televisão o caboco pesquisa, por que não pesquisar quem vai administrar o dinheiro público?”
Silvia Simões
Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]
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