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Além de maratonas e saltos mortais para trás, robôs da China enfrentam teste comercial

Reuters
Além de maratonas e saltos mortais para trás, robôs da China enfrentam teste comercial
Além de maratonas e saltos mortais para trás, robôs da China enfrentam teste comercial

Por Eduardo Baptista e Laurie Chen

PEQUIM, 18 Ago (Reuters) - Os fabricantes chineses de robôs humanoides passaram os últimos dois anos impressionando os investidores com máquinas capazes de dançar break, dar socos e até mesmo bater recordes de maratona. Nesta semana, em Pequim, eles enfrentam um desafio mais difícil: provar que suas invenções podem funcionar de maneira confiável para gerar valor econômico.

Mais de 300 empresas são esperadas na Conferência Mundial de Robótica, de quarta a domingo, apresentando mais de 2.000 exposições e lançando mais de 150 produtos, segundo as autoridades de Pequim.

A conferência coincide com a estreia da Unitree na bolsa de valores de Xangai, uma das maiores fabricantes mundiais de robôs humanoides em volume de vendas, após uma oferta pública inicial que teve demanda 8.000 vezes superior à oferta por parte de investidores de varejo.

O fundador da Unitree, Wang Xingxing, fará uma palestra no fórum principal da conferência na quinta-feira sobre a próxima década da indústria de robôs humanoides, segundo o governo municipal de Pequim.

O evento ocorre em um momento em que o entusiasmo dos investidores em torno dos robôs humanóides chineses atinge novos patamares, mas o foco está mudando das demonstrações virais para a realidade comercial. Investidores e clientes estão cada vez mais avaliando os robôs não pelo espetáculo de seus movimentos, mas pela produtividade com que trabalham, pela quantidade de supervisão humana necessária e pela capacidade de gerar retorno sobre o custo.

Embora os robôs na China estejam começando a substituir trabalhadores humanos em aplicações específicas, como entregas de refeições em hotéis e em algumas linhas de montagem, a adoção em larga escala em diversos setores, além de projetos-piloto limitados, ainda não ocorreu.

Alguns no setor argumentam que essa mudança já deveria ter ocorrido há muito tempo. A Lumos Robotics, uma startup apoiada pela Mitsubishi Electric que está expondo na WRC, concentrou seu robô MOS na inspeção industrial e no manuseio de materiais, em vez de aplicações domésticas ou de entretenimento.

O presidente-executivo Yu Chao disse à Reuters que as empresas que correm maior risco no concorrido setor de inteligência artificial incorporada da China são aquelas que desenvolvem corpos robóticos, modelos ou dados de forma isolada, sem comprovar sua tecnologia em aplicações reais.

Para Yu, a eventual reestruturação do setor se resumirá a uma pergunta simples: um robô pode gerar valor para um cliente? As empresas que não conseguirem, disse ele, “serão eliminadas”.

Georg Stieler, analista de robótica que assessora empresas industriais na China, estima que 50% a 70% dos robôs humanoides produzidos este ano possam acabar em “fábricas de dados”, onde são usados para coletar dados de treinamento, em vez de realizar trabalho produtivo para clientes pagantes.

A Guotai Securities, uma corretora chinesa, estima que um robô humanoide industrial precisaria custar cerca de 160 mil iuanes, incluindo manutenção, para se pagar em dois anos, em comparação com um trabalhador que ganha 80 mil iuanes por ano.

Na realidade, esses robôs custam normalmente de 300.000 a 500.000 iuanes, de acordo com o think tank Merics, com sede em Berlim.

(Reportagem de Eduardo Baptista)

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