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História: Como Manaus virou a terceira cidade do Brasil a ter bondes elétricos

Linhas inauguradas em 1899 circularam por quase seis décadas até a extinção, em 1957

História: Como Manaus virou a terceira cidade do Brasil a ter bondes elétricos
Registro histórico do bonde a tração animal, antes da chegada dos carros elétricos

Manaus foi a terceira cidade brasileira a inaugurar oficialmente o serviço de bondes elétricos, atrás apenas do Rio de Janeiro e de Salvador nesse tipo de transporte. O passo decisivo veio no governo de Eduardo Ribeiro, quando a Lei nº 124, de 24 de agosto de 1895, abriu concorrência pública para instalar as linhas na capital. Venceu o engenheiro Frank Hirst Habbletwhite, que assinou contrato para erguer 20 quilômetros de trilhos, com subvenção anual decrescente ao longo de três quinquênios e possibilidade de ampliar a malha em mais 15 quilômetros.

A empresa Manaus Railway Company tocou a obra. Uma inauguração provisória, para testes, ocorreu em fevereiro de 1896. No ano seguinte, segundo relatório do governador Fileto Pires Ferreira, já havia 16 quilômetros de linhas, 25 bondes de carga e 10 de passageiros, com 171.783 pessoas transportadas e passagem a 250 réis. Uma usina hidrelétrica instalada em um dos igarapés da cidade garantia a energia, e os carros circulavam das 5h às 22h. O serviço regular de passageiros foi inaugurado com festa em 1º de agosto de 1899.

O Estado assumiu a operação em julho de 1902 e a repassou adiante, até que em 1908 nasceu a Manaus Tramways and Light Co., com concessão de 60 anos para luz e bondes elétricos, absorvendo a antiga Manaus Railway. Por essa época, o superintendente municipal chegou a publicar decreto proibindo cuspir e fumar nos bondes, com parte das multas destinada à Santa Casa de Misericórdia. Quase todo o material rodante vinha de fora, sobretudo dos Estados Unidos, com fabricantes como a John Stephenson e a J. G. Brill.

A decadência começou com a Primeira Guerra Mundial, que cortou a importação de peças de reposição. Depois da Segunda Guerra, a situação piorou a ponto de o governo federal decretar intervenção na Manaus Tramways em 1946. A companhia foi encampada em fevereiro de 1950 e os bondes pararam por falta de energia, deixando a cidade meses às escuras. Houve uma tentativa de retomada em 1956, com apenas nove carros em tráfego, mas sem condições de comprar novos veículos nem ampliar linhas. Em 28 de fevereiro de 1957, o serviço de bondes de Manaus foi extinto em definitivo.

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