Por Helen Reid
15 Abr (Reuters) - As ações do grupo francês de luxo Hermes recuavam cerca de 9% nesta quarta-feira, depois que a empresa disse que a guerra do Irã atingiu as vendas no Oriente Médio e na Europa, com menos turistas visitando Paris ou Londres e comprando itens de grife.
As esperanças dos investidores de que a demanda de luxo se recupere este ano foram frustradas pelo conflito, que prejudicou as vendas nos shopping centers de Dubai e fez com que os preços da energia subissem, afetando a confiança dos consumidores.
A Hermes, que controla cuidadosamente a produção e as vendas para manter a exclusividade, tem sido a empresa mais resistente à desaceleração de todo o setor, mas nem mesmo ela ficou imune ao impacto do conflito.
As vendas gerais de produtos, incluindo as bolsas Birkin e Kelly, lenços de seda e perfumes, aumentaram 5,6% em termos ajustados pelo câmbio, disse a Hermes, abaixo do consenso dos analistas da Visible Alpha de um crescimento de 7,1%.
As vendas na região do Oriente Médio caíram 6% nessa métrica, para 160 milhões de euros, de 185 milhões de euros no primeiro trimestre do ano passado.
"Tivemos um crescimento muito bom, de dois dígitos, em janeiro e fevereiro, e depois o mês de março foi uma parada abrupta", disse o diretor financeiro da Hermes, Eric du Halgouet, acrescentando que as vendas em shopping centers de luxo em Dubai e em outros centros comerciais do Golfo caíram 40% em março.
Embora represente apenas 4,4% das vendas, o Oriente Médio foi a região de crescimento mais rápido para a Hermes no ano passado.
A força do euro também se tornou uma grande dor de cabeça para as empresas de luxo. Ele retirou 290 milhões de euros da receita da Hermes no trimestre, levando a uma queda de 1% nas vendas relatadas para 4,07 bilhões de euros, em comparação aos 4,13 bilhões de euros do ano anterior.
As vendas na França caíram 2,8% devido à queda no turismo. Na Ásia, a maior região em vendas para a Hermes, a receita cresceu apenas 3,5% em termos ajustados pelo câmbio, já que a interrupção das viagens aéreas também teve um impacto lá, disse du Halgouet, particularmente em Cingapura e na Tailândia. Os Estados Unidos mostraram aumento de 17,2% nas vendas ajustadas pelo câmbio.
(Reportagem de Helen Reid)



