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Acordo com Irã inclui fundo de US$300 bi, dos quais mais da metade já foi comprometida, diz fonte

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Acordo com Irã inclui fundo de US$300 bi, dos quais mais da metade já foi comprometida, diz fonte
Acordo com Irã inclui fundo de US$300 bi, dos quais mais da metade já foi comprometida, diz fonte

Por Andrew Mills e Maha El Dahan e Parisa Hafezi

DUBAI, 16 Jun (Reuters) - Um fundo privado de US$300 bilhões destinado a estimular investimentos no Irã está previsto no acordo-quadro entre os EUA e o Irã, e mais da metade desse montante já foi comprometida, informou à Reuters uma fonte com conhecimento direto do acordo.

O fundo tem como objetivo oferecer a ambas as partes um incentivo econômico para que cheguem a um acordo final, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato, já que o plano ainda não foi anunciado, enquanto Washington e Teerã se preparam para assinar o acordo nesta sexta-feira.

Autoridades dos EUA e do Irã afirmaram no domingo que haviam chegado a um entendimento sobre um acordo-quadro para pôr fim à guerra -- que teve início quando forças norte-americanas e israelenses atacaram o Irã em 28 de fevereiro --, suspender o bloqueio dos EUA ao Irã e reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota de abastecimento fundamental para o petróleo e o gás global.

O novo fundo é um veículo de investimento privado, não um programa de reconstrução ou reparações, e não incluirá dinheiro público nem subsídios, disse a fonte, acrescentando que empresas sediadas nos EUA, nos países árabes do Golfo, na Ásia, na América do Sul e na África concordaram em comprometer-se com financiamento.

Os investimentos prometidos abrangem os setores de energia, logística, manufatura e transporte, disse a fonte.

Uma fonte iraniana de alto escalão disse à Reuters que Teerã havia inicialmente solicitado US$400 bilhões como indenização pelos danos de guerra causados pelos EUA, mas Washington havia afirmado que não forneceria esse montante.

Foi então que surgiu a ideia do fundo, que se chamará Fundo de Reconstrução e Desenvolvimento.

O mecanismo prevê que os países da região contribuam de várias maneiras, disse a fonte iraniana. Isso inclui a obtenção de empréstimos, o estabelecimento de linhas de crédito ou o financiamento direto da reconstrução de locais danificados pela guerra, incluindo instalações como o complexo siderúrgico de Mobarakeh, refinarias, aeroportos e, de maneira mais ampla, a infraestrutura afetada pelo conflito.

O Irã, uma das maiores economias do Oriente Médio, praticamente não atraiu investimentos estrangeiros diretos significativos nas últimas quatro décadas, tendo sido excluído dos mercados de capitais globais por sucessivas ondas de sanções dos EUA e da comunidade internacional.

O país tem a segunda maior reserva comprovada de gás natural do mundo e a quarta maior reserva comprovada de petróleo.

Possui também uma população jovem e qualificada de mais de 92 milhões de pessoas, uma base industrial diversificada e um potencial significativo ainda inexplorado em setores que vão desde o petroquímico e a mineração até o turismo e a agricultura.

O fundo de investimento é totalmente independente de uma via paralela de negociações sobre o levantamento das sanções dos EUA e a liberação dos ativos soberanos iranianos congelados no exterior, disse a fonte, descrevendo os dois como mecanismos financeiros distintos, com objetivos e prazos diferentes.

O fundo não será criado nem entrará em operação até que um acordo final e satisfatório seja concluído. O memorando de entendimento, uma vez assinado, tem como objetivo estruturar o processo nos próximos 60 dias.

“Ele só será criado uma vez que o acordo final tenha sido assinado”, disse a fonte. “Durante esses 60 dias, os administradores do fundo trabalharão com iranianos e investidores para planejar e definir o escopo dos projetos.”

O Ministério das Relações Exteriores do Irã e o do Paquistão, que ajudaram a mediar o acordo do fundo de investimento, não responderam imediatamente a pedidos de comentário.

Uma porta-voz da Casa Branca citou uma entrevista da CBS com o vice-presidente JD Vance na segunda-feira, na qual ele afirmou que o Irã poderia ter acesso a um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões apoiado pelos países do Golfo caso cumpra um acordo com Washington, incluindo o desmantelamento de seu programa nuclear, a eliminação de seu estoque de material enriquecido e a aceitação de um rigoroso regime de inspeção e fiscalização.

A fonte não quis revelar como o fundo será administrado nem por quem, observando que detalhes importantes ainda precisavam ser definidos.

A fonte citou empresas da Coreia do Sul, Japão, Cingapura, Malásia e Estados Unidos entre aquelas que assumiram compromissos, mas se recusou a fornecer uma lista completa.

O memorando de 60 dias é um marco, não um acordo definitivo, e espera-se que negociadores dos EUA e do Irã trabalhem em várias frentes durante esse período, abordando questões nucleares, sanções e segurança regional.

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