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África comemora sucesso na Copa, com nove seleções classificadas para fase eliminatória

Reuters
África comemora sucesso na Copa, com nove seleções classificadas para fase eliminatória
África comemora sucesso na Copa, com nove seleções classificadas para fase eliminatória

Por Mark Gleeson

ATLANTA, 28 Jun (Reuters) - Nove das dez seleções africanas presentes na Copa do Mundo avançaram para a segunda fase, o que representa um grande avanço para o futebol do continente e pode levar a uma representação ainda maior em torneios futuros.

Essa taxa de sucesso de 90% vem na esteira da chegada do Marrocos às semifinais no Catar, há quatro anos, e traz esperança para o futuro do esporte em um continente apaixonado por futebol, mas cujo progresso é frequentemente prejudicado por fatores administrativos e logísticos.

“É motivo de grande orgulho que haja tantas seleções africanas classificadas para a rodada de 32”, disse o técnico da República Democrática do Congo, Sebastien Desabre, depois que sua equipe virou o jogo e conquistou uma emocionante vitória por 3 a 1 sobre o Uzbequistão, garantindo o progresso no torneio.

“Há muitos anos o continente africano vem trabalhando duro e progredindo”, disse o francês, que tem cerca de 15 anos de experiência trabalhando tanto com clubes quanto com seleções nacionais na África.

“Claro, ainda há espaço para melhorias, e devemos nos esforçar para permanecer humildes, mas estamos felizes por fazer parte dessa evolução do futebol africano”, disse ele após a primeira vitória dos congoleses em uma Copa do Mundo, conquistada no sábado.

Apenas a Tunísia não conseguiu passar da primeira fase da Copa do Mundo, com Cabo Verde, Egito, Costa do Marfim, Marrocos e África do Sul terminando em segundo lugar em seus respectivos grupos, e Argélia, República Democrática do Congo, Gana e Senegal ficando entre os oito melhores terceiros colocados.

“A competitividade global e a qualidade de nível mundial do futebol africano estão sendo reconhecidas e destacadas pelas vitórias e pela classificação para a rodada de 32 da Copa do Mundo por cada uma das nove seleções africanas”, afirmou o presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Patrice Motsepe, em comunicado divulgado neste domingo.

“O trabalho árduo e os investimentos no desenvolvimento do futebol juvenil, no treinamento, nas ligas profissionais de futebol e na infraestrutura do esporte em cada uma das 54 federações membros da CAF e nas competições da CAF estão dando frutos”, acrescentou ele.

A África precisará manter essa trajetória no torneio no Canadá, no México e nos Estados Unidos para conseguir, com sucesso, mais vagas em torneios futuros.

ÁFRICA LUTA POR MAIS VAGAS NA COPA DO MUNDO

Os países africanos há muito tempo vêm reivindicando mais vagas na Copa do Mundo, pois, embora tenham mais de 50 membros, assim como a Europa, contam com muito menos seleções na fase final. Enquanto a CAF teve 10 seleções na fase final de 2026, a UEFA teve 16.

Mas essas reivindicações foram contidas durante os quase 30 anos de mandato do ex-presidente da CAF, Issa Hayatou, que sempre dizia aos delegados em congressos e reuniões que a África só poderia pedir mais vagas se apresentasse resultados.

Antes da campanha de Marrocos no Catar, há quatro anos, a melhor conquista do continente foram as classificações para as quartas de final de Camarões (1990), Senegal (2002) e Gana em 2010, quando a África do Sul sediou o torneio.

Na fase final de 2018 na Rússia – há apenas dois torneios –, nenhuma das cinco seleções africanas passou da fase de grupos, embora o Senegal tenha sido eliminado por diferença de cartões amarelos.

O aumento de cinco no Catar para dez na Copa do Mundo de 2026 foi resultado do aumento do número total de participantes de 32 para 48, o que ofereceu uma oportunidade para países como o pequeno Cabo Verde causarem impacto no maior palco do esporte.

“Estamos muito felizes por podermos participar da Copa do Mundo. O futebol pertence a todos. Não pertence apenas aos países mais ricos”, disse o técnico de Cabo Verde, Bubista, após o empate sem gols de sexta-feira com a Arábia Saudita, que deixou a equipe em segundo lugar no grupo, atrás da Espanha.

(Reportagem adicional de Nick Said, em Houston)

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