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Agência africana de saúde anuncia novo surto de Ebola no Congo, com 65 mortes suspeitas

Reuters
Agência africana de saúde anuncia novo surto de Ebola no Congo, com 65 mortes suspeitas
Agência africana de saúde anuncia novo surto de Ebola no Congo, com 65 mortes suspeitas

15 Mai (Reuters) - A principal agência de saúde pública da África anunciou nesta sexta-feira um surto de Ebola na província de Ituri, na República Democrática do Congo, com 65 mortes em 246 casos suspeitos até o momento.

Os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças informaram em um comunicado que estão convocando uma reunião urgente com o Congo, Uganda, Sudão do Sul e parceiros globais para reforçar a vigilância transfronteiriça, a preparação e os esforços de resposta.

Segundo o órgão, as mortes e os casos suspeitos foram registrados principalmente nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara, enquanto quatro mortes foram registradas entre os casos confirmados em laboratório. Casos suspeitos também foram registrados em Bunia, capital da província.

A agência afirmou que resultados iniciais sugerem a presença de uma cepa diferente da de Zaire, com o sequenciamento ainda em andamento para caracterizá-la com mais precisão.

Jean-Jacques Muyembe, virologista congolês que e dirige o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica em Kinshasa e foi um dos descobridores do Ebola, disse à Reuters que todos os 16 surtos anteriores do Congo, com exceção de um, foram causados pela cepa do Zaire.

A identificação de uma variante diferente dificulta a resposta, disse ele, já que os tratamentos e as vacinas existentes foram desenvolvidos para a cepa do Zaire.

"Os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças estão preocupados com o risco de maior disseminação devido ao contexto urbano de Bunia e Rwampara", além do "intenso movimento populacional" e da mobilidade relacionada à mineração nas áreas afetadas, próximas à Uganda e ao Sudão do Sul, acrescentou a agência.

"Dada a grande movimentação populacional entre as áreas afetadas e os países vizinhos, a rápida coordenação regional é essencial", disse o diretor-geral do CDC África, Jean Kaseya, no comunicado.

O Ministério da Saúde de Uganda disse que um homem congolês morreu em Kampala de Ebola Bundibugyo. Uganda disse que o caso veio do Congo e que nenhum caso local foi confirmado.

PRIMEIRAS AMOSTRAS POSITIVAS 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tomou conhecimento dos casos suspeitos em 5 de maio e enviou uma equipe a Ituri para ajudar a investigar, mas amostras coletadas no local haviam inicialmente tido resultado negativo, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira.

Um laboratório em Kinshasa confirmou casos positivos na quinta-feira, e até o momento 13 de casos foram confirmados como positivos, de acordo com Tedros.

A OMS liberou US$500.000 de seu fundo de contingência para emergências para apoiar a resposta, incluindo vigilância, rastreamento de contatos, testes laboratoriais e cuidados clínicos, disse ele.

ITURI ATINGIDA POR CONFRONTOS ENTRE MILÍCIAS

O novo surto ocorre em meio a uma crise de segurança cada vez mais profunda em Ituri, com a morte de diversos civis por confrontos entre grupos de milícias rivais nas últimas semanas.

A violência piorou uma situação humanitária já terrível, deixando instalações de saúde sobrecarregadas ou inoperantes em algumas áreas da província, havia dito o grupo Médicos Sem Fronteiras (MSF) no início do mês. A entidade médica de caridade alertou para as condições catastróficas de higiene nos locais de deslocamento, aumentando o risco para surtos de doenças.

O surto é o 17º no Congo desde que o Ebola foi identificado pela primeira vez, em 1976. O surto mais recente do país, na província de Kasai, foi declarado encerrado em 1º de dezembro, após três meses. De um total de 64 casos, 45 morreram e outros 19 se recuperaram.

O Ebola é uma doença grave e muitas vezes fatal, endêmica nas vastas florestas tropicais do Congo. O vírus se propaga por meio do contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, materiais contaminados ou pessoas que morreram da doença, informou o CDC da África.

(Reportagem de Erikas Mwisi, Nilutpal Timsina, Clement Bonnerot, Ayen Deng Bior; Elias Biryabaremam e George Obulutsa)

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