LONDRES, 7 Ago (Reuters) - Um britânico foi condenado nesta sexta-feira pelo assassinato de duas profissionais do sexo após agredir sexualmente várias mulheres em Londres, tendo a polícia e a promotoria admitido que cometeram erros que permitiram que ele continuasse a cometer crimes cada vez mais graves.
Simon Levy, de 40 anos, foi considerado culpado pelo assassinato de Carmenza Valencia-Trujillo em março de 2025 e de Sheryl Wilkins em agosto de 2025, bem como pelo estupro e agressão grave a uma terceira mulher em janeiro daquele ano.
A polícia havia prendido Levy sob suspeita de ter assassinado Valencia-Trujillo, de 53 anos, em abril de 2025, mas o liberou – após o que Levy agrediu sexualmente cinco mulheres em trens em Londres antes de matar Wilkins, de 39 anos.
POLÍCIA METROPOLITANA DE LONDRES ENCAMINHA CASO AO GABINETE DE CONDUTA POLICIAL
O vice-comissário adjunto Kevin Southworth, da Polícia Metropolitana de Londres, disse à BBC que acreditava que a vida de Wilkins poderia ter sido salva e que havia pedido desculpas à família dela.
Ele também afirmou que a Polícia Metropolitana havia encaminhado o caso ao Escritório Independente de Conduta Policial (IOPC) após ter rebaixado a recomendação de Levy, em 2024, de agressor sexual de alto risco para um de risco médio.
A Polícia Metropolitana afirmou em um comunicado que a autópsia não conseguiu determinar a causa definitiva da morte de Valencia-Trujillo, o que significa que não foi possível confirmar o envolvimento de terceiros e, por isso, Levy foi liberado.
Levy foi preso em outras ocasiões em 2024 e no início de 2025 pela Polícia Britânica de Transportes (BTP) por agressões sexuais em trens, inclusive depois de se tornar suspeito de estupro e do assassinato de Valencia-Trujillo, mas recebeu liberdade sob fiança.
Lisa Ramsarran, da Promotoria da Coroa, afirmou que “informações relevantes sobre a fiança” não foram fornecidas ao tribunal, acrescentando: “Nossas ações ficaram aquém dos padrões que as vítimas, as famílias e o público têm o direito de esperar.”
O subchefe de polícia Charlie Doyle, da BTP, também reconheceu que a investigação inicial da força policial não foi conduzida com a rapidez necessária. Ele afirmou que a BTP alterou seus procedimentos “para garantir que reincidentes sejam tratados com rapidez e que crimes relacionados sejam priorizados de forma mais eficaz”.
CRIMES LEVANTAM "QUESTÕES SÉRIAS"
Levy foi condenado nesta sexta-feira, após um julgamento no Old Bailey, em Londres, pelo assassinato de Valencia-Trujillo e Wilkins, além de acusações de estupro, lesão corporal grave com intenção e estrangulamento intencional em relação à terceira mulher.
Ele também havia sido condenado em fevereiro, após um julgamento separado, por agredir sexualmente 10 mulheres em trens de Londres entre outubro de 2023 e maio de 2025, sendo que seis desses ataques ocorreram no início de 2025.
Levy também foi considerado culpado de uma 11ª acusação de agressão sexual contra uma agente penitenciária em abril de 2022, após ter sido preso por uma agressão sexual ocorrida em 2018.
A ministra britânica de Crime e Policiamento, Sarah Jones, acolheu com satisfação a investigação pelo IOPC sobre o caso de Levy.
“O fato de Levy ter conseguido causar danos tão devastadores após ter sido libertado pela polícia e pelos tribunais é profundamente preocupante”, afirmou Jones em comunicado. “Isso levanta questões sérias que exigem respostas urgentes.”
(Reportagem de Sam Tobin)



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