JERUSALÉM, 22 Jun (Reuters) - Aliados norte-americanos do presidente Donald Trump o defenderam nesta semana perante um público israelense preocupado tanto com o acordo provisório selado pelos EUA com o Irã, quanto com as críticas da Casa Branca que, em conjunto, parecem indicar fissuras na aliança de décadas entre Israel e Washington.
A relação entre os EUA e Israel tem passado por altos e baixos, desde a confiança inicial que compartilhavam após o ataque conjunto ao Irã até as divergências públicas entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre como encerrar a guerra que já dura quatro meses.
Netanyahu e muitos outros israelenses veem o risco de que o memorando de entendimento de Trump com o Irã fortaleça um Estado que consideram seu inimigo mais mortal e limite sua capacidade de responder às ameaças do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, no Líbano.
Para eles, a aliança com os EUA -- há muito tempo pilar para a abordagem estratégica de Israel -- encontra-se sob pressão, já que pesquisas de opinião mostram que os norte-americanos estão cada vez mais insatisfeitos com Israel e que seu maior defensor em Washington parece estar se afastando.
“Os Estados Unidos e Israel têm um laço inquebrável”, disse Mike Huckabee, embaixador dos EUA em Israel, no domingo, após reconhecer que havia um “nível enorme de ansiedade em torno do relacionamento”.
Ele falou em uma conferência de política externa em Jerusalém, onde as preocupações com o estado da aliança entre os EUA e Israel dominaram muitas das discussões.
Além das preocupações em relação ao texto do acordo com o Irã, israelenses se preocupam com a insistência de Trump para que Israel concorde com um cessar-fogo com o Hezbollah no Líbano e com a forma como ele tem reagido à resistência de Netanyahu a esses acordos.
Nas últimas semanas, Trump chamou Netanyahu de “completamente louco”, repreendeu Israel dizendo que “vocês não precisam demolir um apartamento toda vez que estiverem procurando por alguém” e ponderou publicamente a possibilidade de pedir à Síria que substitua as tropas israelenses no Líbano.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, também adotou um tom mais crítico, afirmando que “Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que demonstra simpatia pela nação de Israel neste momento”, acrescentando posteriormente que nem todas as críticas a Israel devem ser descartadas e consideradas antissemitismo.
O fato de tais opiniões contundentes partirem do Partido Republicano de Trump é especialmente preocupante para muitos israelenses, já que os democratas dos EUA já vinham se mostrando muito mais críticos em relação a Israel do que nos anos anteriores.
(Reportagem adicional de Rami Ayyub)



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