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Aliados ocidentais mantêm posição de não intervenção em Ormuz e geram críticas de Trump

Diversos países se posicionaram nesta terça-feira contra enviar ajuda aos Estados Unidos e sua incursão no Irã, o que provocou comentários duros do presidente americano, Donald Trump.

Trump afirmou que "não precisa ou deseja" a assistência de países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em operações militares e que a aliança está "cometendo um erro grave" com sua recusa.

O porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, mencionou que as negociações do Reino Unido sobre o Estreito de Ormuz continuam com Washington, a Europa e os aliados do Golfo, embora o país não tenha se comprometido até o momento em enviar ajuda.

O presidente francês, Emmanuel Macron, por outro lado, afirmou que a França não participará de operações para liberar o estreito no contexto atual e que a operação teria de ser separada da situação de conflito em curso. A ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles, também reiterou que não vai participar de nenhuma missão internacional no local.

Macron ainda convocou um novo Conselho de Defesa e Segurança Nacional sobre a situação no Irã e no Oriente Médio para esta tarde, horário local, no Palácio do Eliseu, segundo informações da BFMTV .

Seguindo o ceticismo dos países europeus, o Canadá declarou hoje não tem intenção de se juntar às operações militares contra o Irã. Em uma entrevista à Bloomberg , a ministra das Relações Exteriores canadense, Anita Anand, esclareceu que o país não foi consultado antes da operação ofensiva. "O Canadá não participou da ação militar e não tem intenção de participar dela", acrescentou.

Ministra de Infraestrutura, Transporte, Desenvolvimento Regional e Governo Local da Austrália, Catherine King reconheceu a importância de escoltar navios pelo Estreito de Ormuz, mas que isso não é algo que foi solicitado ao governo australiano ou com que ele esteja contribuindo. "Temos sido muito claros sobre qual é a nossa contribuição em relação aos pedidos e, até agora, isso se refere aos Emirados Árabes Unidos - obviamente fornecendo aeronaves para ajudar na defesa - mas não enviaremos um navio para o Estreito de Ormuz", disse King.

Antes de se encontrar nesta tarde com Trump na Casa Branca, o Taoiseach da Irlanda, Micheál Martin, igualmente descartou a participação irlandesa em qualquer missão da União Europeia (UE) para reabrir a rota estratégica de petróleo no Oriente Médio.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, utilizou as declarações cautelosas de aliados dos EUA para afirmar que um número crescente de vozes demonstram que a guerra contra o país persa é "injusta". Em publicação no X, Araghchi compartilhou a carta de renúncia do diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA (NCTC, em inglês), Joe Kent, que acusou Trump de iniciar uma guerra por pressão de Israel mesmo que o Irã não fosse uma ameaça imediata aos americanos.

"Uma onda global de repercussões está só começando e atingirá a todos, independente de riqueza, fé ou raça", escreveu o ministro iraniano. "Mais membros da comunidade internacional devem se pronunciar."

Já um assessor diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou que seu país poderia se juntar a um esforço internacional liderado pelo republicano para garantir a segurança em Ormuz, de acordo com a Reuters .

A Argentina também reiterou apoio "inabalável" aos americanos após ter sido acusada pelo Irã de ser inimiga do regime persa, segundo o chefe de Comunicação e porta-voz do presidente Javier Milei, Javier Lanari, em comentário ao El Mundo .

Mais cedo, ao reafirmar suas críticas contra parceiros ocidentais, Trump comentou que países como Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Bahrein deram "grande apoio" em relação ao Irã.

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