Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 9 Set (Reuters) - A exportação de soja do Brasil em setembro foi estimada nesta quarta-feira em 7,74 milhões de toneladas, crescimento de cerca de 760 mil toneladas em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a primeira projeção de embarques da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) para o mês.
Já a exportação de milho deverá registrar nova queda no mês na comparação com o mesmo período do ano passado, para 5,2 milhões de toneladas, versus quase 7 milhões em setembro de 2025.
Enquanto as exportações de soja do Brasil vêm sendo embaladas por demanda firme e uma safra recorde, no milho o país enfrenta maior concorrência de países como Argentina e EUA este ano. Exportadores ainda lidam com uma disputa do mercado interno, especialmente do setor de etanol, enquanto fazendeiros têm segurado o produto.
A Anec destacou que as exportações de soja em agosto fecharam em 9,6 milhões de toneladas e as de milho somaram 5 milhões de toneladas.
Com base nos volumes embarcados no ano e nas projeções iniciais para setembro, a Anec estimou que as exportações de soja no acumulado dos nove primeiros meses do ano deverão somar 102 milhões de toneladas, volume já próximo do recorde anual registrado em 2025, de 108,68 milhões de toneladas.
No caso do milho, a projeção de embarques até o final de setembro é de 19,35 milhões de toneladas, menos da metade das 41,59 milhões de 2025 completo.
A Anec não fez considerações sobre projeções de embarques para a soja no ano. Anteriormente, estimou um recorde de 110 milhões de toneladas para 2026. No milho, a entidade citou projeção da S&P Global Energy, que indica 39 milhões de toneladas do cereal exportadas pelo país no atual ano comercial.
A associação lembrou ainda que, nos últimos meses do ano, a exportação de soja tem um "comportamento sazonal" e abre espaço para o escoamento da segunda safra de milho.
"A atividade comercial ganhou força na segunda metade de agosto, com cooperativas apontando maior participação de tradings e usinas de etanol de milho na disputa pela oferta oriunda da safrinha", apontou o relatório, admitindo que anteriormente os volumes exportados foram menores pela retenção do cereal colhido, da maior atratividade do mercado físico e da margem de exportação apertada.
FARELO RECORDE
A Anec estimou as exportações de farelo de soja em 2,6 milhões de toneladas em setembro, aumento de 673 mil toneladas no comparativo anual, o que colocaria o volume no maior patamar mensal do ano. O total também superaria recorde histórico verificado em maio deste ano.
Conforme o relatório, o contexto do mercado favorece o fortalecimento dos prêmios de exportação de farelo de soja no porto de Paranaguá e estimula negociações para embarques do quarto trimestre.
"O suporte também veio do mercado internacional. Preocupações com a safra dos Estados Unidos ajudaram a sustentar os contratos futuros na Bolsa de Chicago, reforçando o viés positivo para os preços FOB sul-americanos."
No ano até setembro, as exportações de farelo de soja do Brasil deverão superar 20 milhões de toneladas, a caminho de ultrapassar o recorde de 23 milhões de toneladas de 2025, apontou a Anec.
(Por Roberto Samora, com reportagem adicional de André RomaniEdição de Alexandre Caverni)



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