O imunologista Anthony Fauci, figura central no combate à pandemia de covid-19 nos Estados Unidos, voltou aos holofotes ao prestar depoimento em uma audiência no Senado americano. Ele foi questionado por parlamentares republicanos sobre um suposto ocultamento de informações relacionadas à origem do coronavírus, tema que ainda não tem comprovação definitiva.
Fauci liderou por quase quatro décadas o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas e aconselhou os governos de Donald Trump e Joe Biden durante a crise sanitária, defendendo medidas de isolamento social e a vacinação.
A nova polêmica gira em torno de anotações pessoais de Fauci, que se tornaram públicas recentemente. Os documentos mostram que ele já discutia a hipótese de um acidente de laboratório em Wuhan, na China, em janeiro de 2020, durante uma reunião com pesquisadores. Na época, os especialistas estavam divididos entre a tese de transmissão natural e a de vazamento.
Para os republicanos, esses apontamentos privados contrastam com o posicionamento público do médico durante a pandemia, quando ele enfatizava a probabilidade de uma origem natural do vírus. Fauci, no entanto, sempre defendeu que não havia certeza absoluta sobre a origem.
O instituto que Fauci liderava financiou estudos no Instituto de Virologia de Wuhan, mas não há evidências de que esses estudos tenham relação com a pandemia.
A relação de Fauci com Trump também foi marcada por divergências públicas sobre o uso de máscaras e medidas de contenção. Antes de deixar o governo, Biden concedeu uma anistia preventiva a Fauci contra possíveis acusações federais relacionadas às suas declarações durante a pandemia.
Após o depoimento, o senador Rand Paul anunciou que convocará uma votação para declarar Fauci em desacato ao Congresso. Se aprovado, o caso pode ser encaminhado ao Departamento de Justiça, o que poderia resultar em multa e até um ano de prisão.



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