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Artigo: Ganhamos a retórica de inimigos internos

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‘Os Estados Unidos primeiro’. Acredito que esta será a expressão mais mencionada do discurso de posse de Donald Trump. Ele a usou duas vezes seguidas, enfatizando um novo papel para o país: não o de líder do mundo livre, mas de uma grande ilha entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

O que se seguiu foi o que aprendemos a esperar de Trump durante a campanha: protecionismo e uma imigração rigorosa “para proteger as nossas fronteiras da desolação de outros países fazendo os nossos produtos, roubando as nossas empresas, e destruindo os nossos empregos.” Foi mais um discurso de campanha do que o pronunciamento vago e integrador que esperamos de presidentes em transição da batalha da campanha para o governo, um ataque à classe política, extensivo a quase todos que estavam no palco com ele — incluindo, é claro, o ex-presidente Barack Obama, a quem Trump agradeceu pela ajuda na transição para, em seguida, criticá-lo de forma implícita por vender o país aos interesses de uma elite corrupta. Há lugar nos discursos presidenciais para isso, mas não na posse, sobretudo quando se vence a eleição sem a maioria do voto popular. Precisávamos da visão de um um país unido para fazer algo grandioso, ganhamos a retórica sobre inimigos internos.

Estamos num momento frágil da República, em que a ordem política está possivelmente mais fraca do que jamais esteve desde 1860. Há aqueles que dão boas-vindas ao declínio da ordem política porque a consideram corrupta, ineficiente e refém de interesses especiais. De certa maneira é isso. Porém, é mais fácil identificar os erros numa ordem existente do que pôr algo melhor em seu lugar.

A democracia liberal é uma trégua não muito fácil, que foi trabalhada depois de séculos de guerras religiosas na Europa, um acordo em que nos comprometemos em resolver nossas disputas fundamentais por meio de um processo pacífico. Por que fizemos isso? Porque a alternativa para se viver com o pecado é atirar nos pecadores.

Das pessoas que protestaram contra a eleição aos manifestantes que estiveram nas ruas de Washington na sexta-feira, muita gente parece pouco disposta a aceitar o processo que teve como resultado o presidente Trump. Isso é uma ameaça grave à nossa capacidade de resolver disputas políticas sem violência ou opressão estatal. A pessoa em melhor posição para terminar com ela é Donald Trump, diminuindo o tom de sua retórica agressiva e falando para todo o país, não apenas para a minoria que o elegeu. Ele está na melhor posição, mas não parece disposto a tentar. Então, se tirarmos algo de seu discurso, que seja a missão vital de cada cidadão de colocar os Estados Unidos em primeiro lugar.

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