Por Patricia Reaney
3 Set (Reuters) - Gloria Steinem, escritora, palestrante e ativista norte-americana que lutou pela igualdade de gênero e pelos direitos civis e reprodutivos das mulheres por mais de cinco décadas, morreu aos 92 anos, informou sua fundação.
A cofundadora e editora consultora da revista Ms. Magazine defendeu o movimento feminista desde o final da década de 1960 e inspirou gerações de mulheres.
Ela morreu na quarta-feira, informou sua fundação em uma postagem no Instagram nesta quinta-feira.
“De porta-voz relutante a um farol de mudança positiva, a trajetória dela é singular — uma líder norte-americana capaz de falar a todos nós”, disse a diretora de cinema e teatro Julie Taymor sobre Steinem em uma entrevista ao New York Times em 2017.
Taymor dirigiu o filme de 2020 “As Vidas de Glória”, que retrata a vida de Steinem ao longo dos anos e é baseado em sua autobiografia best-seller de 2015, “My Life on the Road”. Ela também foi tema de uma peça teatral de 2018, “Gloria: A Life”, e de um documentário da HBO de 2011, “Gloria: In Her Own Words”.
Steinem disse que se considerava “uma empreendedora da mudança social”.
“Quero fazer justiça às mulheres que encontro, contar suas histórias”, disse ela à revista New Yorker em 2015. “Trata-se de estabelecer conexões e usar a mim mesma para ouvir, porque não podemos empoderar as mulheres sem ouvir suas histórias.”
Steinem fundou o National Women’s Political Caucus em 1971 com as ex-deputadas dos EUA Bella Abzug e Shirley Chisholm e a escritora Betty Friedan, cujo livro de 1963, “The Feminine Mystique”, deu início à segunda onda do feminismo.
Entre outros grupos, ela também criou Coalition of Labor Union Women, Women’s Media Center, Voters for Choice e Ms. Foundation for Women.
Em 2013, o então presidente Barack Obama concedeu-lhe a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta honraria civil dos Estados Unidos.
Com seu característico cabelo longo, com mechas loiras e risca ao meio, e óculos de aviador, Steinem era o símbolo glamoroso e descolado do movimento feminista, que, segundo ela, deveria abranger mulheres de todas as raças.
“Se você já sofreu discriminação, fica sensível a ela em todos os níveis. Aprendi o feminismo principalmente com mulheres negras. As mulheres negras basicamente inventaram o feminismo”, disse ela à revista New Yorker.



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