Por Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 21 Jul (Reuters) - A geradora Atlas Renewable Energy avalia o desenvolvimento de até 500 MW em projetos de baterias no Brasil, que poderiam ser viabilizados tanto em leilão quanto de forma independente junto a seu portfólio de usinas renováveis, disse à Reuters o presidente da companhia para o país nesta terça-feira.
Na avaliação de Fabio Bortoluzo, a principal oportunidade para desenvolvimento dessas tecnologias de armazenamento de energia será o certame inédito previsto para dezembro, que poderá marcar um "ponto de inflexão" para as energias renováveis no Brasil, já que ajudará o setor a entender qual será o nível "normal" de cortes de geração de eólicas e solares.
"Temos olhado para o leilão como uma potencial oportunidade, muito nessa base de combinar com a geração existente. Entendemos que, com a tecnologia sendo viável, podemos inclusive instalar mais geração", disse, à margem de um evento em São Paulo.
A empresa controlada pelo Global Infrastructure Partners (GIP), da BlackRock, é um dos grandes investidores em energias renováveis no Brasil que, assim como seus pares, tem sofrido com as elevadas restrições à produção das usinas eólicas e solares, impostas na operação do sistema elétrico.
A companhia suspendeu planos de US$1 bilhão em novos investimentos no mercado brasileiro, diante do problema do "curtailment".
Segundo Bortoluzo, o primeiro leilão de baterias ajudará o setor nacional a entender o ponto de equilíbrio das restrições energéticas com as quais a matriz brasileira terá que conviver no futuro.
"Acho que é consenso que nunca será zero, a gente sempre vai ter alguma restrição energética no sistema, mas a gente deveria ter uma visão de quanto ela é e quando ela acontece, quando ela normaliza", avaliou o executivo, durante evento.
O primeiro leilão de baterias prevê um incentivo para instalação dos sistemas no Nordeste, principalmente polo para as energias eólica e solar no Brasil. Projetos localizados em pontos específicos da região contarão com um "bônus", saindo à frente na disputa pelos contratos.
O potencial de 500 MW para desenvolvimento de baterias pela Atlas no Brasil é metade do que a empresa já tem em projetos do tipo em construção e operação no Chile, mercado que está mais avançado na implementação de baterias em larga escala no setor elétrico.
Para o certame de dezembro, o presidente da geradora no Brasil avalia que há espaço para aprimoramento das regras inicialmente postas pelo governo, principalmente para permitir baterias co-localizadas, isto é, associadas a usinas já existentes e que possam consumir energia diretamente delas, sem puxar da rede elétrica nacional.
Embora já seja viável do ponto de vista regulatório, a instalação de baterias por conta própria dos geradores em seus parques ainda esbarra em custos elevados, apontou Bortoluzo, citando uma alta carga tributária incidente sobre os equipamentos importados.
(Por Letícia Fucuchima; edição de Marta Nogueira)




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