Por Jonathan Saul e Parisa Hafezi
LONDRES, 8 Out (Reuters) - Os navios-tanque estão enfrentando um risco maior de ataques e intimidações ao tentarem transportar cargas essenciais pelo Estreito de Ormuz, depois que o Irã emitiu novas advertências de que bloquearia rotas que não tivesse autorizado, segundo fontes.
Na semana passada, já se registrou o maior número de ataques a petroleiros nessa importante via navegável desde o início da guerra com o Irã — reduzindo o número de embarcações que tentavam passar para o menor nível em mais de dois meses.
O Irã alertou agora os países da região que qualquer tentativa de abrir novas rotas para a exportação de petróleo seria considerada hostil, disse à Reuters uma alta autoridade regional próxima a Teerã.
Isso faz parte de um plano acordado tanto pelos líderes políticos do Irã quanto pela Guarda Revolucionária, acrescentou a autoridade.
“O Irã não tem absolutamente nenhuma intenção de permitir que o controle do Estreito de Ormuz lhe escape das mãos e já tem planos prontos para bloquear as rotas que alguns países da região utilizam para exportar petróleo”, disse à Reuters, separadamente, um diplomata sênior da região informado por Teerã.
“Isso poderia envolver ataques com mísseis e drones contra navios, ou o envio de embarcações para afugentar os navios”, acrescentou o diplomata. “O Irã planeja continuar com essa política de medo e ameaças”, disse ele.
Nos últimos meses, os produtores de petróleo do Golfo aceleraram os embarques de petróleo por canais que contornam o lado omanense do estreito antes de transferir o petróleo em águas abertas no Golfo de Omã, com apoio aéreo dos EUA, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
No mais recente incidente nas últimas 24 horas, projéteis atingiram um petroleiro a cerca de 95 km da costa do Catar, dentro do Golfo, informou a agência da Marinha britânica UKMTO.
Fontes de segurança marítima informaram que o petroleiro químico Acers, com bandeira de Antígua e Barbuda, foi atingido por vários projéteis ao norte de Madinat ash Shamal, no Catar, causando ferimentos leves à tripulação.
“O ataque ao Acers aumenta a possibilidade de uma área de combate mais ampla, afetando as aproximações ao Catar, Barein, Arábia Saudita, Kuwait e Iraque”, afirmou a Clearwater Dynamics, subsidiária do grupo de inteligência de riscos marítimos Pole Star Global, em um relatório divulgado na quinta-feira.
A operadora da embarcação, listada em bancos de dados de navegação como Valvoria Shipping, com sede em Antígua e Barbuda, não foi encontrada para comentar o assunto.
“A recente onda de ataques iranianos parece ter diminuído a disposição dos armadores em navegar pelo estreito”, disse Jakob Larsen, diretor de segurança e proteção da associação de navegação BIMCO.
“A ameaça iraniana parece ter aumentado.”
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