LONDRES, 10 Jun (Reuters) - A Bayer espera acelerar um plano para facilitar a produção norte-americana de matérias-primas para biocombustíveis, como a camelina, na esteira da guerra no Irã, informou nesta quarta-feira a gigante farmacêutica e de químicos agrícolas.
A guerra provocou um aumento nos preços dos combustíveis fósseis e, por sua vez, despertou um interesse renovado nos biocombustíveis -- normalmente produzidos a partir de safras como cana-de-açúcar e milho —, como forma de melhorar a segurança energética e, potencialmente, reduzir os custos de energia.
Os biocombustíveis, que geralmente são misturados à gasolina ou ao diesel, tornam-se mais econômicos quando os preços dos combustíveis fósseis sobem.
As alternativas aos combustíveis fósseis há muito geram debate sobre se a queima de culturas para produzir energia elevará os preços dos alimentos e as taxas de desmatamento. Isso estimulou a inovação em biocombustíveis de segunda geração produzidos a partir de materiais orgânicos que não competem com os alimentos.
A camelina, por exemplo, é uma cultura intermediária que pode ser cultivada entre as principais safras ou em terras subutilizadas.
"Nossa meta é produzir alguns milhões de acres de camelina na América do Norte, e estamos avaliando a expansão para outras regiões", disse Peter Muller, diretor global de cereais, algodão e canola da Bayer, à Reuters à margem da conferência do Conselho Internacional de Grãos em Londres.
A empresa sediada na Alemanha anunciou no mês passado que havia formado uma aliança com a gigante do setor de energia BP para comercializar a camelina para a produção de biodiesel, diesel renovável e combustíveis sustentáveis para aviação.
Muller disse que a empresa esperava atingir sua meta de área plantada de camelina até meados da década de 2030, mas agora espera atingir essa meta mais cedo, devido ao renovado interesse nos combustíveis em meio à guerra no Irã.
"Essas decisões foram tomadas em um contexto diferente... Agora, trata-se de acelerar ainda mais as coisas", disse ele.
Muller acrescentou que a Bayer também está prestes a fechar um acordo com uma empresa que processará a camelina norte-americana, dando aos agricultores que estão entrando no setor a confiança de que haverá um comprador para sua safra.
(Reportagem de May Angel)
((Tradução Redação São Paulo 55 11 56447751))REUTERS RS



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