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BlackRock prevê manter ritmo de crescimento na base de ativos no Brasil em 2027

Reuters

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 2 Out (Reuters) - A BlackRock espera manter um ritmo de expansão da ordem de 30% na sua base de ativos no Brasil em 2027, independentemente do desfecho eleitoral, de acordo com Bruno Barino, CEO para o país da maior gestora de ativos do mundo, em parte pelo interesse crescente de brasileiros por investimentos internacionais.

"Eu acho que conseguimos repetir", afirmou o executivo em entrevista à Reuters, citando que a operação brasileira está crescendo 30% a 35% a base de ativos neste ano, após incremento de cerca de 12% em 2025 e fluxo negativo em 2024. Ele não detalhou o montante dos recursos administrados no Brasil, mas citou que a grande parte, cerca de 90%, são aplicações offshore. No mundo, a BlackRock tem mais de US$15,3 trilhões em ativos.

"Se eu tenho 90% offshore e o comportamento do brasileiro em relação offshore, que já está mudando, continuar a mudar, eu já pego um pedaço no meu 90%... Não é uma questão de crescimento econômico, é só fazer a conta."

Barino afirmou que tem crescido no país o interesse por ETFs, fundos negociados em bolsa, segmento no qual a BlackRock é uma das líderes globais por meio da marca iShares, com US$5,5 trilhões em ativos sob gestão, mas que há espaço para ir além. O executivo citou o movimento que ocorreu no mundo deve acontecer também no Brasil, de busca por ativos nos extremos, como produtos passivos, como ETFs, em uma ponta, e investimentos alternativos e especializados, em outra. 

De acordo com dados da B3, o número de pessoas físicas com ETFs na carteira alcançou 862 mil no final de junho, de 639 mil um ano antes. O valor em custódia dos investidores pessoas físicas em ETFs aumentou 62%, para R$35,1 bilhões, alta de 62%. No Brasil, entre outros produtos, a BlackRock é gestora do ETF mais famoso do país, o iShares Ibovespa Fundo de Índice, mais conhecido como BOVA11, lançado em novembro de 2008 na B3. 

Nos últimos anos, a BlackRock aumentou significativamente sua atuação no mercado brasileiro, que é voltada para o investidor institucional, incluindo em áreas além do investimento, como tecnologia e advisory; e Barino afirma que tem trabalhado para expandir ainda mais, enxergando uma participação relativamente modesta do grupo no país em comparação com sua presença global.

"Se você olhar os grandes mercados de ativos investíveis do mundo, a BlackRock é gigante em todos, menos no Brasil."

INFRAESTRUTURA E IA

Na visão de Barino, o principal desafio do Brasil é competir por investimentos globais de longo prazo capazes de transformar a economia, como em infraestrutura. 

"O Brasil, às vezes, não se posiciona em como competir por esse investimento transformacional", afirmou, destacando que o país possui vantagens importantes, mas precisa avançar em marcos regulatórios, ter política de estado estrutural, estratégia mais coordenada para competir com outros destinos por grandes projetos internacionais. "Você está competindo pelo cheque globalmente", afirmou.

Ele citou que, em infraestrutura, o foco da BlackRock no Brasil está voltado para portos, aeroportos, energia e a cadeia de data centers, um dos segmentos mais beneficiados pela corrida global por inteligência artificial.

O executivo avalia que, principalmente pela questão da energia e pelo tamanho do mercado brasileiro, o Brasil ainda pode ser um hub de IA para a América Latina. "Eu não acho que (essa oportunidade) passou, mas 'the clock is ticking' (o tempo está passando)."

Para o executivo, a capacidade de atrair investimentos de longo prazo dependerá menos do resultado eleitoral e mais da profundidade de reformas fiscais e medidas voltadas ao aumento da competitividade econômica. "Independentemente de quem ganhar, profundidade (das mudanças) definirá a nossa capacidade para competir pelo investimento."

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador de oposição Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem em empate técnico em um eventual segundo turno na maioria das pesquisas de intenção de voto para a eleição deste mês. O primeiro turno será disputado no domingo.

Apesar das preocupações com juros elevados e incertezas fiscais, Barino afirmou que investidores estrangeiros tendem a enxergar o Brasil de forma mais positiva do que os próprios brasileiros. "A visão do estrangeiro em relação ao Brasil é muito melhor do que a nossa."

(Com reportagem adicional de Brad Haynes e Luciana Magalhães, edição Alberto Alerigi Jr.)

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