Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 21 Jul (Reuters) - O Brasil deverá perder o posto de segundo exportador global de milho para a Argentina em 2025/26, à medida que o país vizinho está competitivo após uma grande safra, enquanto exportadores brasileiros enfrentam dificuldades de embarques para o Irã, tradicionalmente um grande importador, avaliou nesta terça-feira a Hedgepoint Global Markets em uma conferência online.
As exportações brasileiras em 2025/26 estão estimadas pela Hedgepoint em 43 milhões de toneladas, enquanto as argentinas estão projetadas em 45 milhões de toneladas no mesmo período, segundo números da empresa de consultoria e gerenciamento de riscos. Os dados estão em linha com as estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
O último ano em que o Brasil exportou menos que a Argentina foi em 2020/21, quando os embarques brasileiros somaram 20,85 milhões de toneladas, enquanto os da Argentina atingiram 40,9 milhões, segundo dados históricos do USDA. O mercado global de exportação do cereal é tradicionalmente liderado pelos EUA.
"Acho que a Argentina pode ganhar 'share' especialmente do Brasil em 25/26, por preços mais competitivos", declarou Luiz Fernando Roque, especialista da Hedgepoint.
Ele disse ainda que as exportações de milho do Brasil em 2025/26 podem ser reduzidas por menores compras do Irã em meio à guerra, além da forte concorrência dos Estados Unidos.
A estimativa atual ainda indica um aumento no comparativo com o ciclo anterior, quando o Brasil exportou 41,1 milhões de toneladas, segundo números da empresa de análises.
Em 2025, o Brasil chegou a embarcar 9 milhões de toneladas para o Irã, sendo o principal destino.
"O Irã não comprou nada em junho, o conflito pode atrapalhar", disse.
As exportações brasileiras de milho geralmente ganham força no segundo semestre.
Na primeira parte do ano, o Irã foi destino de cerca de 1,5 milhão de toneladas do cereal brasileiro, contra 2,3 milhões no mesmo período de 2025, segundo dados da consultoria.
FATOR ETANOL
O especialista disse considerar que a condição da Argentina como segundo exportador global deve ser conjuntural para o quadro de 2025/26, diante da grande safra.
Mas disse também que a "demanda crescente por etanol no Brasil é um fator fundamental".
O mercado interno brasileiro tem absorvido cada vez mais milho, principalmente pelo aumento da produção de etanol, notou a empresa de análises.
A Hedgepoint estima que o consumo de milho para etanol no Brasil deverá crescer 5,5 milhões de toneladas em relação a 2025, para 28,5 milhões de toneladas. Enquanto o consumo para ração animal deverá aumentar 200 mil toneladas na mesma comparação, para 61,2 milhões de toneladas.
Roque chamou a atenção para recente decisão do governo brasileiro de aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%.
Ainda que seja uma medida provisória, o E32 poderia adicionar mais 1,5 milhão de toneladas no consumo de milho para etanol, disse ele.
A Hedgepoint estima a safra brasileira de milho em 2025/26 em 140,3 milhões de toneladas, versus 140,5 milhões no ciclo passado. O USDA estima a safra brasileira 2026/27 em 139 milhões de toneladas.



Aviso