Por Marcela Ayres
BRASÍLIA, 8 Abr (Reuters) - O governo brasileiro avalia maneiras de acelerar os testes de misturas mais altas de biodiesel no diesel com o objetivo de chegar a uma conclusão este ano, disse o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) nesta quarta-feira, em meio a um aumento nos preços dos combustíveis devido à guerra do Irã.
A medida poderia impulsionar a demanda de soja no maior produtor mundial da oleaginosa, principal matéria-prima de biodiesel.
O setor de biocombustíveis do Brasil aproveita as interrupções no fornecimento de petróleo e gás no Oriente Médio como uma oportunidade para pressionar por misturas obrigatórias mais altas de biodiesel no diesel e de etanol na gasolina.
André Nassar, presidente-executivo da Abiove, disse à Reuters que o Ministério de Minas e Energia decidirá esta semana se contratará mais laboratórios para avaliar o desempenho técnico de misturas de até 20% de biodiesel, em comparação com o atual mandato de 15%.
TESTES PODERIAM SER REDUZIDOS PARA 4 MESES
Com apenas um laboratório realizando os testes, o processo poderia levar 14 meses, mas com mais dois laboratórios contratados, o tempo poderia ser reduzido para apenas quatro meses, disse ele, citando estimativas preliminares do governo.
O setor privado se ofereceu para dividir os custos para agilizar o processo, acrescentou.
A expectativa é por uma decisão em uma reunião na sexta-feira, disse uma fonte do governo sob condição de anonimato, acrescentando que o objetivo não é afrouxar as exigências, mas permitir que o tempo total do processo seja reduzido com a potencial contratação de laboratórios adicionais.
A proposta é apoiada pela AliançaBiodiesel, uma nova entidade formada pela Abiove e pelo grupo de biocombustíveis Aprobio, que será lançada nesta quarta-feira em Brasília.
O objetivo é garantir a aprovação de misturas de até 20% em uma única etapa, mesmo que a implementação determinada pelo governo seja gradual, evitando a necessidade de testes demorados a cada novo incremento, disse Nassar.
A maior economia da América Latina importa cerca de um quarto do diesel que consome. Como o biodiesel brasileiro é agora mais barato que o diesel importado, misturas mais altas aumentam a segurança energética, disse Nassar.
"Nós temos um ativo aqui que nos dá segurança energética e é um produto que nunca vai faltar porque a matéria-prima dele nós temos de sobra aqui no Brasil", afirmou.
"Essa guerra pode se prolongar ... Tem que aproveitar para terminar os testes, tem que ser um cronograma muito mais curto," adicionou.
A AliançaBiodiesel também defende testes simultâneos em equipamentos para viabilizar as validações de maior percentual de biodiesel ainda em 2026.
Outro pleito considerado chave, segundo Nassar, é a revogação pelo Conselho Nacional de Política Energética de uma resolução de 2015 que exige aval da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para consumo acima de 10 mil litros de biodiesel. Para ele, a regra é incompatível com a Lei do Combustível do Futuro, que autorizou o uso voluntário do combustível em qualquer percentual.
Atualmente, diversos equipamentos já estão homologados para misturas de até 20%, afirmou Nassar, destacando que o contexto da guerra no Oriente Médio elevou o interesse pelo biodiesel por razões econômicas, já que ele está mais barato que o diesel. A exigência de autorização da ANP, no entanto, tem levado distribuidores a desistirem do processo devido à demora na obtenção da chancela.



