NOVA YORK, 19 Out (Reuters) - Os contratos futuros do café arábica na bolsa ICE atingiram a maior cotação em um mês nesta segunda-feira, em meio a estoques em bolsa ainda criticamente baixos e à valorização da moeda do Brasil, principal produtor. O cacau também subiu, enquanto o açúcar caiu.
CAFÉ
* O café arábica fechou com alta de 10,1 centavos, ou 3,3%, a US$3,157 por libra-peso, após ter subido 6,5% na semana passada. Mais cedo, atingiu a maior cotação em um mês, de US$3,1775.
* O que impulsionou os preços do café foi o real brasileiro, que se valorizou nesta segunda-feira após um debate televisivo na noite de domingo entre o candidato de direita Flávio Bolsonaro e o de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo alguns analistas, favoreceu ligeiramente o primeiro.
* Um real forte desestimula os exportadores a vender, já que reduz os ganhos em moeda local.
* Os estoques certificados pela ICE estavam em 239.852 sacas, não muito distantes da mínima de 27 anos registrada no mês passado, de 217.646 sacas.
* Os participantes do mercado estão ficando cada vez mais apreensivos com a possibilidade de que os suprimentos do Brasil não cheguem aos armazéns da ICE antes do vencimento do contrato de dezembro.
* O preço do café robusta subiu 2,2%, para US$3.480 por tonelada métrica.
* A produção de café do Vietnã, principal produtor de robusta, provavelmente permanecerá estável na safra 2026/27, já que a produção mais forte proveniente de árvores mais jovens e replantadas compensa as perdas relacionadas às condições climáticas desfavoráveis no início deste ano.
* O alívio para os mercados globais pode ser relativamente breve, no entanto, já que o fenômeno climático El Niño deste ano deve impactar fortemente a safra da próxima temporada.
CACAU
* O contrato de cacau de Londres fechou com alta de 24 libras, ou 0,6%, a 4.380 libras por tonelada, após atingir uma máxima de um mês e meio de 4.640 libras na quarta-feira, em meio a sinais de melhora na demanda pela matéria-prima do chocolate.
* As chegadas de cacau aos portos da Costa do Marfim, principal produtor, atingiram 37.000 toneladas métricas na semana encerrada em 18 de outubro, segundo estimativas dos exportadores, uma queda de 55,9% em relação à mesma semana do ano anterior.
* O tempo seco na maior parte do cinturão de cacau da Costa do Marfim na semana passada gerou preocupações quanto a possíveis danos para a safra do próximo ano, segundo os agricultores.
* O contrato de futuros de cacau de Nova York subiu 0,7%, para US$5.687 por tonelada, após ter atingido uma máxima de um mês na última quarta-feira.
AÇÚCAR
* O açúcar bruto fechou em queda de 0,28 centavo, ou 1,3%, a 20,57 centavos por libra-peso, após ter atingido uma máxima de 19 meses, de 21,29, na última quarta-feira.
* O açúcar está se consolidando após uma alta provocada pelas chuvas excessivas associadas ao El Niño no Brasil, principal produtor, o que desacelerou a produção em setembro e reduziu o teor de sacarose na cana.
* Em outros mercados, as ações das empresas açucareiras indianas caíram depois que o governo determinou que as empresas reduzissem a zero o desvio de açúcar para a produção de etanol no ano 2026/27.
* A medida visa aumentar a disponibilidade doméstica de açúcar e amenizar os preços recordes na Índia, maior consumidor mundial de açúcar e segundo maior produtor.
* O preço do açúcar branco caiu 1,5%, para US$546,80 a tonelada.
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