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Caminho livre para cantor pop D4vd ser julgado por acusações de homicídio e mutilação

Reuters
Caminho livre para cantor pop D4vd ser  julgado por acusações de homicídio e mutilação
Caminho livre para cantor pop D4vd ser julgado por acusações de homicídio e mutilação

Por Steve Gorman

LOS ANGELES, 27 Jul (Reuters) - Os promotores apresentaram provas suficientes para que o vocalista de indie pop conhecido como D4vd seja levado a julgamento sob a acusação de ter esfaqueado até a morte e desmembrado uma menina de 14 anos que ameaçava revelar o relacionamento secreto entre eles, decidiu uma juíza de Los Angeles nesta segunda-feira.

A juíza Charlaine Olmedo considerou que havia causa provável para que um júri decidisse o destino de David Anthony Burke, de 21 anos, cujo estrondoso sucesso musical em grande gravadora como artista conhecido como D4vd (pronuncia-se “David”) foi interrompido por sua prisão no ano passado.

Ele passou cinco dias em um tribunal lotado no centro da cidade, algemado em seu assento, enquanto os promotores apresentavam depoimentos gráficos de testemunhas e fotos da cena do crime para convencer Olmedo de que o caso atendia aos requisitos legais mínimos para levar Burke a julgamento. Os pais da vítima estiveram presentes durante a maior parte dos depoimentos.

O promotor do condado de Los Angeles, Nathan Hochman, disse aos repórteres durante o primeiro dia das audiências que seu gabinete decidiria posteriormente se iria requerer a pena de morte.

DO TIKTOK À INTERSCOPE

Burke começou sua carreira como uma sensação viral no TikTok com músicas produzidas para vídeos do jogo Fortnite em 2022, e seu primeiro single de sucesso, “Romantic Homicide”, abriu caminho para um contrato multimilionário com a Interscope Records.

Seu primeiro álbum de estúdio foi lançado em abril de 2025, na mesma semana em que, segundo os promotores, sua namorada menor de idade, Celeste Rivas Hernandez, desapareceu e foi morta a facadas.

Seus restos mortais em decomposição foram encontrados cinco meses depois, amontoados no porta-malas de um sedã Tesla que, segundo as autoridades, estava registrado em nome de Burke. O carro havia sido rebocado para um pátio de apreensão, onde os funcionários perceberam o fedor de decomposição emanando do veículo e chamaram a polícia.

O cantor e compositor foi preso em abril deste ano e acusado de homicídio doloso, mutilação de restos mortais e abuso sexual infantil.

Ele se declarou inocente de todas as acusações durante uma audiência de indiciamento em 20 de abril, na qual sua advogada, Blair Berk, defendeu veementemente a inocência de seu cliente.

“Acreditamos que as provas concretas mostrarão que David Burke não assassinou Celeste Rivas Hernandez, nem foi a causa de sua morte”, disse Berk na ocasião.

SERRAS ELÉTRICAS E PISCINA

Em um documento judicial apresentado na semana seguinte, os promotores detalharam pela primeira vez a maneira horrível com que, segundo eles, Burke matou a vítima e se livrou do corpo, bem como seus supostos motivos.

A promotoria afirmou que Burke agiu com medo de que ela arruinasse sua carreira em ascensão no mundo do espetáculo depois que ela, movida pelo ciúme, ameaçou divulgar publicamente informações comprometedoras sobre o relacionamento sexual entre os dois, que, segundo os promotores, teria começado quando ela tinha 13 anos.

O gerente financeiro Benjamin Greger testemunhou durante a audiência preliminar desta semana que Burke, seu único cliente do mundo do entretenimento, havia obtido receitas brutas de US$10 milhões a US$11 milhões entre 2023 e 2025, após seu contrato com a Interscope.

A acusação de homicídio por ganho financeiro está entre as circunstâncias agravantes incluídas nas acusações, o que torna Burke potencialmente passível de pena de morte. Outra alegação é de que ele agiu dessa forma porque a vítima era testemunha de um crime.

Em 23 de abril de 2025, um dia após Burke e a menina terem discutido por causa das ameaças dela de expô-lo, segundo os promotores, ele chamou um Uber para levá-la até sua casa em Hollywood Hills e, em seguida, esfaqueou a vítima até a morte assim que ela chegou.

Durante a audiência de apresentação de provas, a promotoria exibiu fotos de três motosserras, uma pá e outros itens que, segundo eles, Burke havia comprado online sob um nome fictício e mandado entregar em sua casa após o assassinato em 23 de abril de 2025.

Entre esses itens estava uma piscina inflável de plástico azul na qual, segundo os promotores, o corpo da vítima foi colocado para impedir que o sangue se espalhasse pelo chão da garagem.

O torso e a cabeça da vítima foram encontrados dentro de um saco de vinil preto para cadáveres, enfiado no porta-malas dianteiro do Tesla abandonado, em cima de um saco plástico de lixo contendo os membros da vítima, testemunhou na última terça-feira o detetive da polícia especializado em homicídios Joshua Byers.

Fragmentos de plástico azul da piscina foram encontrados incrustados na carne dos membros decepados, disse Byers.

Dois dedos da mão esquerda da menina haviam sido amputados, mas não foram recuperados, enquanto o dedo indicador direito da menina exibia uma tatuagem enigmática com os dizeres “SHHH...”, que correspondia a uma marca que, mais tarde, descobriu-se que Burke havia tatuado em seu próprio dedo indicador direito, segundo Byers.

Os restos mortais tiveram que ser identificados com certeza por meio de registros odontológicos, disse o detetive.

Várias amostras biológicas coletadas na garagem de Burke deram positivo para sangue, e a análise de DNA de várias amostras correspondeu ao perfil genético único da vítima, de acordo com o parecer da promotoria apresentado ao tribunal.

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